Mostrando postagens com marcador FUNDAMENTOS TEÓRICOS METODOLÓGICOS E POLÍTICOS - FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FUNDAMENTOS TEÓRICOS METODOLÓGICOS E POLÍTICOS - FILOSÓFICOS DA EDUCAÇÃO. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O que é o Pró-Letramento

O Pró-Letramento
Mobilização pela Qualidade da Educação - é um programa de formação continuada de professores, para melhoria da qualidade de aprendizagem da leitura/escrita e matemática nas séries iniciais do ensino fundamental. O Programa é realizado pelo MEC, em parceria com Universidades que integram a Rede Nacional de Formação Continuada e com adesão dos estados e municípios. Podem participar todos os professores que estão em exercício, nas séries iniciais do ensino fundamental das escolas públicas.
O Pró-Letramento funciona na modalidade a distância. Para isso, utiliza material impresso e vídeos e conta com atividades presenciais, que são acompanhadas por professores orientadores, também chamados tutores.
Objetivos :
Os objetivos do Pró-Letramento são:oferecer suporte à ação pedagógica dos professores das séries iniciais do ensino fundamental, contribuindo para elevar a qualidade do ensino e da aprendizagem de Língua Portuguesa e Matemática;
propor situações que incentivem a reflexão e a construção do conhecimento como processo contínuo de formação docente;q desenvolver conhecimentos que possibilitem a compreensão da matemática e da linguagem e seus processos de ensino e aprendizagem;
contribuir para que se desenvolva nas escolas uma cultura de formação continuada;
desencadear ações de formação continuada em rede, envolvendo Universidades, Secretarias de Educação e Escolas Públicas dos Sistemas de Ensino.
Por que formação continuada :
A formação continuada é uma exigência da atividade profissional no mundo atual não podendo ser reduzida a uma ação compensatória de fragilidades da formação inicial. O conhecimento adquirido na formação inicial se reelabora e se especifica na atividade profissional, para atender a mobilidade, a complexidade e a diversidade das situações que solicitam intervenções adequadas. Assim, a formação continuada deve desenvolver uma atitude investigativa e reflexiva, tendo em vista que a atividade profissional é um campo de produção do conhecimento, envolvendo aprendizagens que vão além da simples aplicação do que foi estudado.
A formação continuada de caráter reflexivo considera o professor sujeito da ação, valoriza suas experiências pessoais, suas incursões teóricas, seus saberes da prática e possibilita-lhe que, no processo, atribua novos significados a sua prática e compreenda e enfrente as dificuldades com as quais se depara no dia-a-dia. Ainda não se pode perder de vista a articulação entre formação e profissionalização, na medida em que uma política de formação implica ações efetivas, no sentido de melhorar a qualidade do ensino, as condições de trabalho e ainda contribuir para a evolução funcional dos professores.
Contato:

proletramento@mec.gov.br

Telefone: [61] 2104 8672

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Avaliações sobre a aprovação automática

Assunto polêmico em uma educação não menos polêmica como a nossa: a aprovação automática. A Resolução 946/07, promulgada no dia 27 de abril de 2007 pela Secretaria Municipal de Educação, retira dos boletins o conceito "Insuficiente". O que quer dizer que não haverá mais o fantasma da repetência rondando as escolas públicas do ensino fundamental do Rio de Janeiro.
Alunos acomodados
Aqueles que se posicionaram contra, uns enfatizaram que tal medida poderia fazer com que o alune se acomode:
"..o aluno não buscará aprofundar o seu conhecimento, porque, a princípio, não entende a necessidade do saber, e a aprovação automática confirma a ele esta falta de necessidade, já que não é preciso saber para ser aprovado.." (Maria do Nascimento)
"O prazer de estudar está na dificuldade de se conseguir o objetivo, alcançando-o. Vivemos em um mundo que aparentemente temos as coisas fáceis. Se eu tenho a certeza que irei conseguir passar de ano, para que estudar? E as minhas dúvidas só serão acumulativas, teremos cada vez pessoas mais ignorantes e essas crianças terão sempre a certeza que tudo que elas quiserem na vida passará por um processo automático!!!!!" (Tercia Castro)
Outros leitores consideraram uma injustiça contra aqueles alunos mais estudiosos, já que no final das contas, estes obterão o mesmo resultado daqueles menos esforçados:
"...os alunos que são esforçados e dedicados, mas que tem dificuldade sempre no final, são ajudados em conselho. Mas tem aquele tipo de aluno que falta quase um bimestre inteiro, não entrega trabalho, não tem nada no caderno, tira notas BAIXAS e falta no dia de recuperação, sem sequer justificar...E ai, como é que fica? E aqueles alunos que estão sempre presentes, se esforçando?(...) E, se desta forma já está difícil, imagina uma aprovação automática...Aí os professores, infelizmente, vão ter que levar a educação na brincadeira também..."(Matheus Cristiano Torres)
"Sou contra, os alunos mais empenhados nos estudos estão chegando à conclusão que: quem estuda é aprovado e quem não se esforça também; na minha opinião esta medida está tendo efeito inverso". (Claudia Martins)
Ensino fundamental sem fundamentos
Há também os que vêem nessa medida o risco daqueles alunos que não tiveram seus conhecimentos fundamentais consolidados nas séries iniciais chegarem às séries mais avançadas sem ao menos terem domínio da escrita:
"..é triste ter um aluno na 5° série que sequer sabe escrever o seu nome, ou seja, isso é uma crueldade com nossas crianças. Desse jeito como será o amanhã?" (Elisangela Jerônimo)
"... no que se transformará o ensino médio? Em aulas de alfabetização de jovens e adultos?" (Valeria Cabral)
Seguindo essa lógica, tais alunos se transformarão em adultos despreparados, alargando ainda mais o abismo da desigualdade social já tão extensa nos dias de hoje:
"...as condições de aprendizado dos alunos remanescentes da escola pública já são diferentes e a medida só contribuirá para aumentar a desigualdade social e a marginalidade, já que mesmo os bem intencionados sairão para o mercado de trabalho e terão condições ainda menores para competir com os alunos das escolas de excelência. Serão mais uma vez enganados com seus diplomas debaixo dos braços e a falsa idéia de estar pronto e preparado para ingressar no mundo cada vez mais letrado". (Telma de Souza Zobaran)
"O que se percebe é mais uma tentativa de idiotizar ainda mais nosso povo. Em especial os filhos das classes trabalhadoras. Prolongando o status quo e aumentando as desigualdades". (Jeronimo Vilela)
"...teremos mais desemprego, pois nossos jovens não terão como concluir o 2º grau, faculdade e nem passar em um concurso público, empregos com salários melhores". (Jeane de Paula)
"...Por que o ciclo não se encontra nas escolas dos ricos??... (...) Qual responsável não vai se sentir traído ao ver o conceito dos seus filhos, de todas as matérias, na letra B, R ou MB e portanto aprovado!!" (Domingos Sávio)
Refazer para acertar
Para alguns participantes do fórum "Discutindo", a reprovação precisa parar de ser considerada algo pejorativo, pois serve para o aluno aprimorar seus conhecimentos. Afinal, frustrações fazem parte do desenvolvimento humano:
"...devemos deixar de lado o pedagogismo e partir para a pedagogia, se entendemos o erro como parte do processo de aprendizagem, devemos entender a reprovação também como parte desse processo. Errar para acertar significa poder refazer para poder acertar". (Myrna Azevedo Valente)
".... Achar que reprovação trás frustrações é claro que trás, porém ou aprendemos a lidar com as frustrações e buscar soluções, ou passaremos o resto da vida marcando passo em várias áreas de nosso desenvolvimento". (Vânia Lúcia Viana Costa)
Um outro lado
Diante de todas essas críticas sobre a Resolução 946/07, uma voz solitária no espaço "Discutindo" se posicionou a favor, a partir de um trecho tirado de uma matéria de Zuenir Ventura (que apesar se colocar contra a medida, cita um exemplo favorável de não reprovação):
"Já ouvi que o modelo deu certo em outros lugares, como Londres, por exemplo, e aí me veio à lembrança a escola-comunidade inglesa de
Summerhill, de A. S. Neil, cuja história chegou aqui nos anos 60, incendiando a imaginação dos que sonhavam em revolucionar a educação. Ali, as crianças não faziam provas nem testes, só freqüentavam as salas de aula por interesse e não por obrigação, e criavam suas próprias regras de convivência. A escola dura até hoje, mas a experiência da "Liberdade sem medo" não se propagou, muito menos aqui. Era uma daquelas utopias sessentistas boas para laboratório, mas nem sempre para virarem políticas públicas".
A leitora Fábia dos Santos utiliza-se deste exemplo e questiona: "se deu certo lá, por que não pode dar certo aqui? Além do mais, o sistema de reprovação já tem sido utilizado por nós e, pelo visto também não tem dado bons resultados. Por que então não tentar essa outra via?"
O tempo de cada um
Fazendo companhia à voz da leitora isolada, talvez para provocar ou para incentivar a reflexão, colocamos alguns argumentos favoráveis à aprovação automática.
Primeiramente, a aprovação não é irrestrita, ela é feita apenas dentro dos ciclos. Dessa forma, pode ocorrer ao final de cada ciclo. Um tempo maior de avaliação significa dar ao aluno mais uma oportunidade de aprender dentro de seu próprio ritmo. Assim como cada bebê tem o tempo próprio para começar engatinhar, andar, falar, o mesmo acontece com as pessoas mais grandinhas: cada uma tem um ritmo de aprendizagem próprio.
E qual a diferença entre a reprovação anual e a reprovação por ciclo?
Com os avanços de diversas áreas ligadas à educação e à psicologia, foi demonstrado que o processo de aprendizagem da criança não ocorre de forma linear e sim por saltos. E fatores como medo, repressão, cobrança e etc, podem inibir tal desenvolvimento.
Além disso, ao repetir o ano, o aluno tem toda a aprendizagem feita naquele ano simplesmente desconsiderada. Trata-se de uma espécie de castigo que, por vezes, pode ser substituído por outros estímulos.
A secretária Municipal de Educação, Sônia Mograbi, no site Câmara notícias do Rio, esclarece alguns pontos sobre a Resolução 946/07. Afirma que não se pretende abrir mão da freqüência de 75%, nem do processo de avaliação, que será de forma contínua. Terá apenas um tempo maior para que o aluno possa ser avaliado e tal processo não será apenas calcado em provas.
No sistema de aprovação automática, entre os conceitos de avaliação, o Insuficiente (I) deixa de existir, pois, como defende a diretora do Departamento Geral de Educação da prefeitura, Leny Datrino, não existe aluno insuficiente, nem ser humano insuficiente. Os conceitos seriam: Muito Bom (MB), para aqueles que alcançaram plenamente os objetivos sem a necessidade de atividades de recuperação paralela; Bom (B), para aqueles que atingiram os objetivos, com a participação eventual em atividades de recuperação; e Regular (R), para aqueles que atingiram parcialmente os objetivos propostos, necessitando da participação constante em atividades de recuperação.
Em relação à freqüência, quando o aluno apresentar mais do que 12,5% de faltas, os responsáveis serão contatados e, caso isto não dê resultados, o caso será encaminhado ao Conselho Tutelar. Se a quantidade de faltas chegar a 25%, o aluno não poderá cursar o ciclo seguinte.
O pesquisador Cláudio Moura e Castro, ex-diretor de Políticas Educacionais do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), à maneira de São Tomás de Aquino, parte do princípio do mal menor. Em sua opinião, dentro de um sistema educacional ineficaz, aprovar um aluno despreparado é melhor do que fazê-lo repetir. Segundo ele, repetência leva à evasão de alunos pobres - 75% das matrículas nas escolas públicas. "É preferível que os jovens avancem na escola do que desistam dos estudos. (...) Quando repete, o aluno perde a motivação (...). O ideal é passar sabendo, mas em uma política estúpida em que só existem essas duas alternativas, a promoção automática é um mal menor para a maioria dos alunos".
Torçamos para que tais argumentos contrários e favoráveis à aprovação automática no ensino fundamental fomentem discussões produtivas em prol da melhoria efetiva da educação de nossas crianças e jovens.
Para saber mais, visite os links abaixo:

http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/educ94a.htm
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materia.asp?seq=115
http://www.se.df.gov.br/gcs/file.asp?id=10467
http://www.camara.rj.gov.br/noticias/2007/05/39.htm
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=46698

domingo, 2 de dezembro de 2007

Considerações finais

Considerações finais
Muito já se falou e escreveu sobre a construção do processo de leiturae escrita. Cursos foram realizados, livros foram produzidos, mas no cernede cada escola ainda temos muitos alfabetizadores e muitos alunos quenão conseguem vencer juntos esse processo. Será tão difícil ensinar umacriança a ler e a escrever? Certamente não é. De tudo que foi dito acima,algumas sínteses podem ser feitas:
*O professor deve organizar as situações de aprendizagem da leiturae da escrita de forma que elas continuem a manter relação com as situaçõesdo cotidiano, isto é, não se deve fazer com que a escrita seja algo escolar;ela não é; a escrita faz parte da vida;
*O professor deve se preparar para ser um alfabetizador; esta tarefa requercompetências específicas, além de exigir um compromisso com os resultados;
*A escola precisa proporcionar um ambiente alfabetizador; cada sala deaula deve dispor de recursos de leitura, tais como jogos, murais, cartazes, cantinhode leitura e tudo o mais que a criatividade do professor conseguir imaginar;
*Os pais, o diretor e os demais professores precisam estar envolvidosno trabalho dos alfabetizadores; a tarefa destes deve ser compartilhadapelos demais; não é uma ação isolada;
*A leitura da palavra deve buscar inicialmente encontrar-se com aleitura de mundo dos alunos;
*Há inúmeros mitos que precisam ser desconstruídos sobrealfabetização;
*Não basta dominar todas as teorias; é preciso criar estratégias paracolocá-las em prática;
*O ato de ler deve ser um prolongamento do ato de brincar; devehaver prazer na construção desse processo;
*Cada aluno tem seu modo próprio de construir conhecimentos; receitase modelos não surtem o mesmo efeito para todos.
Não há novidades no que está dito. Em muitos momentos, inúmerosprofessores já ouviram e leram esse discurso. Resta praticá-lo, acreditandoque é possível ensinar a ler e a escrever à maioria dos alunos que estãoem nossas salas de aula.

ADMINISTRAR SUA PRÓPRIA FORMAÇÃO CONTÍNUA

ADMINISTRAR SUA PRÓPRIA FORMAÇÃO CONTÍNUA
Analisar suas práticas e modificá-las quando necessário: o que deucerto com um grupo, num determinado momento, pode não ser o idealpara outro grupo, em momento diferente. O tempo, o espaço e a identidade?25dos alunos e dos professores estão em constante transformação. A formaçãocontínua é uma exigência do ofício do professor. Não só cada um deveprocurar oportunidades como exigi-las de seus dirigentes.

ENFRENTAR OS DEVERES E DILEMAS ÉTICOS DA PROFISSÃO

ENFRENTAR OS DEVERES E DILEMAS ÉTICOS DA PROFISSÃO
Dentro da sala de aula é necessário lutar contra qualquer tipo depreconceito: étnico, social, cultural. É necessário discutir também a questãoda violência dentro e fora da escola, se possível com o apoio da comunidadeescolar. A escola é, ainda, um local em que diferentes temas podem serabordados: a questão das drogas e de suas conseqüências no plano pessoale social é uma delas. Fechar os olhos, por medo, não é a solução. Negociar,discutir, argumentar, mostrar exemplos, levar os alunos a buscar informaçõese a traçar regras de convivência e solidariedade são pontos a seremobservados, lembrando-nos sempre que não há resultados a curto prazo eque uma escola “ não pode tudo” , mas uma boa escola faz diferença.

UTILIZAR NOVAS TECNOLOGIAS

UTILIZAR NOVAS TECNOLOGIAS
Se a escola possui vídeo, televisão, computadores, deve-se utilizar estesequipamentos para construir novos saberes, para o lazer, para a busca deinformações. É inacreditável que aulas de Ciências, Geografia, História,Literatura, Artes, Língua Estrangeira sejam dadas só com o uso do quadronegro e do giz, quando há inúmeros recursos para discutir vários assuntos,só esperando ser acessados.

INFORMAR E ENVOLVER OS PAIS

INFORMAR E ENVOLVER OS PAIS
Dentro do possível, os pais devem participar das atividades da escola enão serem chamados apenas para receber o boletim, para participar de?24festas e mutirões ou para receberem notícias sobre o comportamento deseus filhos. Conhecer os pais, entrevistá-los, saber como poderiamparticipar da ação educativa, realizar reuniões com informações e debatesfaz parte do trabalho de uma escola eficaz.

PARTICIPAR DA ADMINISTRAÇÃO DA ESCOLA

PARTICIPAR DA ADMINISTRAÇÃO DA ESCOLA
A escola não é dirigida apenas por seu diretor, mas pelo corpo de professores,alunos, pais e membros da comunidade. Participação se constrói, não é dadapor delegação. Escolas competentes têm direção compartilhada e nãocentralizadora e autoritária. Escolas omissas queixam-se da direção, mas nãoajudam, se as críticas não são seguidas por propostas de mudança.

TRABALHAR EM EQUIPE

TRABALHAR EM EQUIPETomar a iniciativa de realizar reuniões pedagógicas, procurar que seelaborem projetos de equipe, enfrentando e administrando conflitos,buscando apoios na direção, em outros colegas, na ação de supervisores ecoordenadores regionais.

ENVOLVER OS ALUNOS EM SUA APRENDIZAGEM


ENVOLVER OS ALUNOS EM SUA APRENDIZAGEMSuscitar, a partir de situações lúdicas e de interesse para os alunos, odesejo de aprender, de descobrir, de construir, desenvolvendo a capacidadede auto-avaliação, o funcionamento da avaliação entre os alunos (umaespécie de conselho de sala de aula), negociar regras, oferecer atividadesopcionais para aqueles com dificuldade em determinadas atividades oupara aqueles que as vencem com rapidez (organizar diferentes cantinhosde trabalho com material de fácil manuseio).

CONCEBER E FAZER EVOLUIR OS DISPOSITIVOS DE DIFERENCIAÇÃO (competências a serem desenvolvidas pelos professores)

CONCEBER E FAZER EVOLUIR OS DISPOSITIVOS DE DIFERENCIAÇÃOUm profissional competente sabe administrar a heterogeneidade de suaturma e não a compara nem com a dos colegas nem com aquela sua turmamaravilhosa do ano passado. Cada grupo de alunos é um grupo que temsua própria história, não podendo ser comparado a nenhum outro. Acompetência se expressa, também, na forma de integrar os alunos àsatividades, criando grupos de apoio mútuo, realizando trabalhos?23cooperativos, o que lhe dará tempo para lidar em pequenos grupos ouindividualmente com alunos que apresentem maiores dificuldades.

ADMINISTRAR A PROGRESSÃO DAS APRENDIZAGENS( competências a serem desenvolvidas pelos professores)

É importante que o professor tenha uma visão longitudinal dos objetivosdo ensino. Se isto ocorresse, professores de 2ª, 3ª e 4ª séries nãoreclamariam tanto que seus alunos mal sabem ler e escrever, masprocurariam saber em que ponto da construção do processo de leitura eescrita cada um está, para aprofundá-lo. Não haveria, também, tantaansiedade por parte dos alfabetizadores que terminam por tentar acelerartanto o processo de aprendizagem de alguns alunos, que o inviabilizam.Todos os professores, especialmente os do 1º segmento do EnsinoFundamental, discutiriam e se envolveriam no ensino da leitura e da escrita.É importante, ainda, o conhecimento de teorias da aprendizagem, aobservação e a avaliação formativa dos alunos e o balanço periódico doque se conseguiu para tomada de novas decisões.

ORGANIZAR E DIRIGIR SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM( competências a serem desenvolvidas pelos professores)

Para isto é necessário conhecer os conteúdos a serem ensinados e sua transposição em objetivos de aprendizagem, adotar a concepção de situações-problema ajustadas ao nível dos alunos, o que envolve trabalhar apartir das representações destes, utilizando seus próprios erros como pontode partida, conceber e planejar seqüências didáticas (não deixar tudo porconta do espontaneísmo) e envolver os alunos na aprendizagem, criando estratégias que os motivem (evitar aulas monótonas, com rotinas repetitivas).

Desenvolvendo competências e habilidades para ensinar

Um sujeito competente no domínio da linguagem é capaz de produzir textos orais e escritos adequados às situações de comunicação em que se encontra, de posicionar-se criticamente diante do que lê eouve, de ler e escrever produzindo sentido, de formular perguntas e articular respostas significativas em situações variadas. Mais ainda,um sujeito competente no uso da linguagem é capaz de perceber queum texto oral ou escrito é um ato de linguagem com finalidades eintenções, contendo o que é dito e os não-ditos. Ao mesmo tempo esse sujeito sabe, por meio do texto, manifestar seus próprios desejos e convicções e, também, informar, persuadir, criticar, divertir, emocionar,argumentar, posicionar-se, criticar.

O termo competência, por dar margem a significados diversos, é aquiutilizado como a possibilidade de utilização de determinadas operações da inteligência, que permitem aos alunos (sujeitos da aprendizagem), coma mediação do professor e de outros colegas, realizar classificações,inclusões de classes, estabelecer relações unívocas e biunívocas, organizar seqüenciações, estabelecer correspondências, fazer inferências, sínteses etc. Todas estas competências estão implícitas nos atos de falar, ouvir, lere escrever.

Segundo Perrenoud , as competências mobilizam diversos recursoscognitivos para enfrentar uma ação, sendo que esta mobilização só épertinente em ação, isto é, competências são mobilizadas em função desituações específicas.

Dentro da escola o que se deseja é que o aluno interaja com o objeto deconhecimento (a linguagem escrita e também a falada) com a finalidadede modificar, reorganizar e reconstruir os conhecimentos que trouxe defora da escola, ampliando sua competência no uso da linguagem. Essaampliação de competências não ocorre de modo linear, supostamente do“mais fácil” para o “ mais difícil”. O processo de construção é não-linear,complexo e até certo ponto imprevisível, logo não há um modelo a seraplicado a todos.

Para que o aluno desenvolva suas competências é preciso que oprofessor também construa novas competências para o ato de ensinar.

Desmistificando alguns mitos

Desmistificando alguns mitos.

O primeiro mito a ser desmistificado é o de que no passado a escola pública era ótima e hoje...

A antiga escola pública era seletiva e elitista. A ela não tinha acesso atotalidade da clientela em idade escolar. O número de analfabetos adultosremanescentes dessa escola pública ótima é um exemplo. Os avós degrande parte de nossos alunos e parte enorme de seus pais nãofreqüentaram a escola porque a democratização do ensino público é recente.Para se ter uma idéia, só na década de 90 é que o Brasil conseguiumatricular cerca de 97% dos alunos de 7 a 14 anos na escola. A escola pública ótima era freqüentada pela parcela da classe média (em seusdiferentes estratos), que tinha acesso à função social da escrita e provinhade famílias escolarizadas.

O segundo mito é o de que a escola particular é melhor do que a escolapública. Esquecem-se os adeptos desta tese que o nível de escolaridade dospais e a condição sócio-econômica dos alunos faz diferença. Todas as pesquisasnacionais e internacionais sobre avaliação do desempenho dos alunos mostramque esses são fatores que aproximam os alunos que os possuem daquilo quea escola tem como objetivo: a transmissão de conhecimentos relevantes paraa vida e para a sociedade. No entanto, não se pode aceitar esse fato como umdeterminismo imobilizador, já que outras tantas pesquisas também apontampara a existência de escolas eficazes, que conseguem ensinar a todos,independentemente de sua origem social e cultural.

A escola eficaz, dentre outras ações, durante o processo de ensinoe aprendizagem aproxima o mundo escolar do mundo dos alunossem desqualificar a história de vida e a cultura deles, sem querer compensar deficiências, mas atenta para os diferentes conhecimentosque cada aluno traz para a sala de aula, explorando o que sabemfazer, para que ultrapassem o patamar em que estão e ascendam aoutros patamares.

Há mitos metodológicos, também. Defensores dos métodos analíticosnão concebem que os alunos lidem com a fonetização. Já, para os defensoresdos métodos sintéticos, primeiro os sons, depois as sílabas, depois as palavrase por fim o texto. Alfabetização não é uma questão de método. O aprendera ler e a escrever é um processo levado a efeito pelo aprendiz, com a mediaçãodo professor que saberá dosar, em situações de classe, as estratégiasnecessárias para que seus alunos produzam e leiam textos e descubram asrelações entre os fonemas e grafemas que constituem as palavras.

Tantos mitos se criaram em sala de aula... Copiar é proibido. Como seescrever algo de interesse para a criança, ainda que sob a forma de umpequeno texto para ilustrar algo, fosse prejudicial. Não se trata de copiarlistas de palavras sem sentido, mas da cópia com significado. Copiar otexto que se produziu, assinalar palavras, procurar palavras que tenhamsemelhanças, diferenças, enfim, há momentos para a produção livre e hámomentos em que um pequeno trecho copiado tem seu valor.

Ler em voz alta não é o desejável. O importante é a leitura silenciosa. Ecomo saberemos como esta leitura ocorre se não a ouvirmos, se não houvertrocas entre os alunos? Como ler bem, com a entonação correta, a pontuaçãodevida, se não lermos para sermos ouvidos? Aqui não se trata de leiturapunitiva (o célebre “continue de onde seu colega parou”), mas da leituraprazerosa. Esta é a leitura que os atores fazem, quando lêem textos teatrais.Eles lêem procurando a melhor forma de pronunciar as palavras e de lhesdar a entonação dramática ou cômica que o texto exige. Na realidade ostextos estão à espera de um leitor que lhes dê vida e que abra inúmeraspossibilidades de leitura. Em suma, a leitura silenciosa tem seu espaço, masnão deve ocupar todos os espaços, especialmente no início da alfabetização.

Há muitos outros mitos. Cada professor, durante sua formação préviaou sua formação em serviço já ouviu que não se deve fazer muitas?20coisas, que isto ou aquilo impedem a construção de conhecimentospelos alunos. Muitos escutam, mas não ouvem, e, baseados em seubom senso e em sua história profissional, usam estratégias diversas(proibidas ou não) e realizam um bom trabalho. Outros, por insegurança,aferram-se a um só modelo em geral, o das cartilhas. Muitos outrosquerem ser construtivistas e seguir o “método de Emilia Ferreiro”, masa autora não criou nenhum método. Como pesquisadora deu importantesinformações para aqueles que queiram levar seus alunos com sucessoao mundo da leitura e escrita, deixando o caminho aberto para que ospedagogos, a partir das reflexões feitas, criassem os seus próprioscaminhos, que são muitos e diversos como muitos e diversos são osalunos em cada sala de aula.

Conhecer o trabalho dos autores construtivistas e dos que defendem ateoria histórico-cultural, como Vygotsky, e conhecer, também, teorias dalingüística, da sócio-lingüística e da psico-línguística é de grande valia,mas conhecer aspectos teóricos apenas não é o bastante. É precisotransformar a teoria em prática pedagógica e isto é feito dentro das salasde aula por professores e alunos. Além disto é preciso conhecer os alunose o contexto em que se situa a escola, considerando-se que no processo deaprendizagem não estão envolvidos apenas aspectos cognitivos, sociais eculturais, mas que cada aluno é um sujeito no mundo, com sua história devida que se cruza e se afasta da dos demais.

Para vencer os mitos, portanto, cada professor deve se confrontar comeles, desmistificando-os, o que será mais fácil, à medida que o professor construir competências no campo da alfabetização.

A leitura do mundo e a leitura da palavra


Em síntese, se entendermos o modo de ler de forma ampla, veremos que este comporta dois níveis: a leitura do mundo e a leitura da palavra, como diz Paulo Freire: a palavramundo. A leitura de mundo é uma produção de sentidos ligada ao momento e à situação vivida, centrada num tempo e num espaço, sempre relacionada a outros textos inscritos pela vida, no leitor. A leitura de mundo se processa o tempo todo, antes, durante e depois do processo de construção da leitura da palavra. Cada aluno levará para a sala de aula seus significados com todas as diferenças sociais, culturais, étnicas,de gênero... Estas diferenças propiciarão diferentes leituras de mundo. A dimensão de mundo de uma criança, o modo como ela vê a realidade refletida,organiza-se, em grande parte, em função das condições sociais e culturaisem que ela vive e reorganiza-se em função das condições de interação a quevier a ser exposta. A leitura da palavra não pode e não deve estar dissociadada leitura de mundo. Não há um mundo próprio e específico para introduçãoda leitura da palavra, um mundo artificial, onde é impossível a construçãoda palavramundo.

O mundo dos textos “para ensinar a ler”, em geral, está longe do mundo real. É impossível produzir sentidos lendo que “ O rato rói a roupa do rei ”(nas casas de muitos de nossos alunos, os ratos não roem a roupa do rei mascausam tantos outros problemas). Pior ainda, é que primeiro se aprende o de rato para depois se entender ( ! ) que “A barata come abóbora” ou que “ Ocarro derrapa e bate na carroça” e que “ A porta da casa de Marcelo e Marta éverde” , numa ordem preestabelecida , em torno das hipotéticas dificuldadesdo inicial <> no meio da palavra, e no final da palavra.

Quando se une a leitura de mundo à leitura da palavra, não há “baratas comendo abóboras”. São produzidos, lidos e comparados textos que fazem parte da vida dos alunos. Descobre-se, assim, consultando, por exemplo, a lista de nomes de alunos, que a letra de Mariana é a mesma de Renato, só que em posição diferente . A linguagem viva, cheia de sentidos, impregnadade histórias de mundo não se deixa aprisionar pela ordem artificial dos fonemas.

A linguagem sob qualquer de suas formas exerce um poder de mediação entre o homem e o mundo, sendo não apenas um instrumento de comunicação, mas de produção de significados. Professores que alfabetizam, a partir de situações em que há espaço para a pluralidade de significados, normalmente conseguem criar o clima propício para o desvelamento do código escrito.

Por que tem sido tão difícil para as crianças aprender a ler e a escrever?


Paulo Freire, em um de seus livros, ao se referir ao seu próprio processo de alfabetização diz: “Eu aprendi a ler no quintal da minha casa. O chão de terra foi o meu quadro, os gravetos, o meu giz” . Sobre o mesmo tema,outros autores se manifestam: “Eu aprendi a ler nas placas de lata das ruas da minha cidade” (Mayakovsky). “Fui educado pelos olhos da imaginação.Viajei pelas mãos dela sempre” (Fernando Pessoa). “Sempre se lê e vê com os olhos da imaginação” (Italo Calvino).
A aprendizagem da leitura e da escrita, pelas falas desses autores, parece ter sido um processo agradável, que fluiu naturalmente e que permitiu que os olhos da imaginação se abrissem e vissem um mundo novo de idéias.
Nem sempre dentro da escola, a imaginação pode se soltar e caminhar paralelamente à educação. Há excesso de rigidez nos procedimentos escolares? Sobra pouco espaço para a brincadeira, para a liberação da imaginação. A leitura não é tão-somente um processo de junção de letras que formam palavras e frases. Textos e imagens precisam ser lidos com os olhos da imaginação. Despertar este olhar da imaginação por meio de livros, quadros, imagens, da observação do espaço em que se vive, da audição de músicas, da troca de experiências, é fundamental.
Por outro lado, diferentes fatores interligados precisam ser melhor conhecidos para que se possa lidar com uma abordagem voltada para osucesso em alfabetização. Dentre eles, pode-se citar a questão que envolveos antecedentes sociais e dialetais. As crianças chegam à escola com uma história de vida singular, cada aluno em cada sala de aula é diferente do seu colega, logo, as tentativas de homogeneização e de aulas iguais paratodos não funcionam. Especialmente nos anos iniciais da vida escolar,têm mais sucesso os professores que trabalham com pequenos grupos em momentos alternados da aula. A atenção à diversidade é fundamental,respeitando-se desvios dialetais, tanto na fala, quanto na escrita. “Quandose rejeita o dialeto materno de uma criança , rejeita-se a mesma por inteiro,a ela com toda a sua família, com seu grupo social de pertinência” .
A ênfase deve ser inicialmente dada à fluência e não à precisão gramatical,ortográfica e à pronúncia da criança. Outro fator importante é que a maioriadas crianças, na fase de iniciação escolar, possui como experiência oral-préviaapenas a participação em conversação diária e espontânea,principalmente com a família. Na escola, os livros de alfabetização e mesmoa prática pedagógica de grande parte dos professores dificilmente reproduzemos textos e situações do cotidiano, por estarem presos a uma ordem préviade fonemas e grafemas. Libertar-se desta ordem e pensar que a linguagemescrita guarda relações de semelhança com a fala é fundamental.
Liberto da ordem dos fonemas (/ v /, / d /, / l / , / m /...) e das frases com enunciados desconexos, utilizando a experiência prévia da linguagem oral de seus alunos, lidando com diferentes gêneros textuais (histórias em quadrinho, lendas, fábulas, textos produzidos oralmente pelos alunos escritos pelo professor, histórias infantis, pequenos textos científicos,poesias,...) e planejando onde querem chegar, os professores e seus alunosirão vencendo as várias etapas da alfabetização.
Mas... dirão os professores “Como trabalhar com textos se os alunos não sabem ler?” Trabalhando com textos, aprenderão a ler, desde que haja um planejamento organizado em torno desse objetivo. De um texto, por exemplo,podem ser destacadas palavras, e muitos jogos de rimas e alterações podem ser realizados com as crianças, de tal forma que, brincando, elas percebam que cada vez que se mudam, se acrescentam ou se retiram letras, as palavra mudam de significado (bola/cola/mola/sola/rola – sapato/pato – garoto/gato- escola/cola). Organizar a aula ludicamente, a partir de jogos e brincadeiras,é a chave para a alfabetização. Segundo Vygotsky, a aprendizagem da leitura e da escrita deveria ser organizada como um prolongamento das brincadeiras infantis, sendo que “ o melhor método será aquele em que as crianças não aprendam a ler e a escrever, mas descubram estas habilidades durante as situações de brinquedo”
Nas diferentes situações organizadas, claro que o professor poderá e deverá falar o nome das letras: o de bola, o de cola. Conhecer o alfabeto e saber que relações as letras têm umas com as outras não é proibido, pelo contrário,esta é uma informação a ser adquirida na escola, só que dentro de um contextode leitura real e não de um trabalho de decifração isolado. Melhor ainda é possuir um quadro de pregas e letras móveis para fazer as alterações. Não há cobranças de memorização de fonemas, não se trata de ensinar que o com faz, trata-se simplesmente de proporcionar oportunidades para que as crianças descubram como se organiza o código escrito. Muitos professores, que trabalhamou desejam trabalhar de modo construtivista, esquecem-se de informar tais coisasaos alunos e esperam que eles formulem hipóteses até chegarem à fase alfabética,sem que alguém lhes forneça algumas informações. Não há como desconsiderarque o decifrado é, também, um dos eixos do processo de alfabetização.
Introduzir a linguagem escrita no universo dos alunos, significa permitir que todos tenham acesso e possam explorar materiais de leitura distintos,antes, durante e depois de terem aprendido a ler. Significa, também, que todos tenham acesso à leitura feita pelo professor desses diferentes tipos de material e que possam manuseá-los, experimentando ler e escrever. Mais ainda, que sejam encorajados a escrever sem copiar, tentando aproximar-se da palavra escrita, num primeiro momento, sem que suas escritas sejam comparadas e corrigidas. Não apenas isto, mas também que leiam (sem saber ler formalmente) usando dados extra textuais e, na medida do possível,os dados textuais que aos poucos irão dominando. E, finalmente, que conheçam as relações entre fonemas e grafemas. Uma metodologia que sevalha dessas estratégias avança em direção à construção da linguagem escrita e não apenas é pensada como mera transcrição do código alfabético.Conhecimentos são construídos em condições que favorecem sua apropriação. A aquisição da escrita, nunca é demais repetir, inclui a apropriação do código, mas não se reduz a ele.

sábado, 1 de dezembro de 2007

A introdução da escrita na sala de aula


Assim como o contato com a linguagem oral possibilita o desenvolvimento da fala, o primeiro passo para o domínio da linguagem escrita é o contato com materiais para ler (livros, revistas, jornais,embalagens, folhetos, rótulos, quadrinhos, cartazes...) e não apenas para aprender a ler. Iniciar a alfabetização a partir de um único tipo de material,uma cartilha, por exemplo, não é recomendável, já que estas lidam apenas com a mecânica do decifrado. Um bom livro de alfabetização, com textos e ilustrações interessantes, pode ser um dos materiais usados pelo professor,mas não deve ser o único, nem deve ser seguido numa seqüência linear.Muitos professores dirão que usam cartilhas há anos e alfabetizam seus alunos com sucesso. Certamente alfabetizam aqueles que aprenderiam a ler com ou sem cartilhas, porque já haviam sido inseridos num processo de alfabetização informal por suas famílias, antes de ingressar na escola.Outros, sentem-se inseguros sem um material de alfabetização e usam ascartilhas como material de apoio, mas lidam com outras estratégias que permitem que as crianças construam significados sobre o ato de ler. De qualquer forma, o fracasso da alfabetização não pode ser relacionado linearmente ao uso de cartilhas, podendo-se citar, entre outros fatores, o pouco uso de materiais de leitura diferenciados, a falta de crença no sucesso dos alunos, a pouca ou nenhuma familiaridade de grande parte dos professores que regem turmas de alfabetização com os diferentes aspectos que envolvem esse processo, o desconhecimento de outras estratégias de leitura (textuais e extratextuais) que ultrapassem o mero decifrado.
Para que o sucesso em alfabetização venha a ocorrer, é importante, alémde possibilitar o acesso à produção textual variada, ler junto com os alunose para eles। Abordar diferentes tipos de textos, comentar, apontar ilustrações,levar os alunos a selecionar e classificar tipos de textos diferentes: rótulos,quadrinhos, textos de histórias infantis, propagandas. Deixar que leiam,dramatizem, desenhem, pintem, criem mosaicos, organizem construções comblocos de madeira ou objetos com massinha, sem dividir a aula em atividadesisoladas de coordenação motora, auditiva, visual que “preparam para aalfabetização”, é um bom caminho para que os alunos se sintam interessadosem descobrir o que a escrita representa e como representa.
Por outro lado, deve-se levar em conta que a leitura é um objeto deaprendizagem diferente da escrita, tanto que há alunos que escrevem e não lêemou vice-versa। Para escrever, juntam-se letras, formam-se frases e parágrafosnum processo que vai da parte para o todo। Já na leitura, do “todo” texto, faz-seo inverso। A leitura envolve outras estratégias cognitivas: pode-se ler um “todo”depreendendo o vocabulário do contexto sem ler palavra por palavra। Ouvimose lemos buscando o significado geral, porém falamos e escrevemos buscandoconstruir o significado parte por parte. A leitura, portanto, pode e deve ser orientadapara a busca de pistas extratextuais que ajudem a prever o sentido do que estáescrito. Ocorre, porém, que não se lê apenas pelo reconhecimento de palavras-chavee/ou usando pistas contextuais. Há necessidade do decifrado. Ferreiro afirma que “a leitura proficiente ocorre quando decifrado e busca de umsignificado convergem para um trabalho único”
Entra-se, portanto, no cerne da questão. Para que os alunos aprendama ler é necessário lidar com dois eixos interdependentes. Em primeirolugar, os textos apresentados devem ter significado, para que os alunospossam se apoiar em indicadores extratextuais, (seu conhecimento demundo) e em indicadores textuais (portador de texto, formato, organização,tipo de ilustração, pontuação, título). Em segundo lugar, os alunos precisam conhecer as relações fonema e grafema, logo, também será necessário o domínio do decifrado.A escola, em geral, tem se apoiado apenas no segundo eixo. Com umacartilha presente ou internalizada pelo professor, trabalha-se a leituramecanicamente, utilizando-se apenas uma das estratégias (o decifrado).Ocorre que o mero decifrado não é leitura, é apenas a estratégia maiselementar de leitura. Não há nada contra o decifrado já que sempre seránecessário trabalhar com a habilidade de discriminar e relacionar fonemase grafemas, porém, quando esta é a estratégia dominante, os alunos sechegarem a ler, sem se desinteressarem antes, o farão tropeçando naspalavras, sem organizá-las num todo coerente. Ora, ler é buscar blocos desentido, e isto só se consegue utilizando-se as outras estratégias citadas. Ogrande problema das cartilhas não é o fato de que todas, qualquer que sejaa metodologia utilizada, tendam a organizar as relações entre fonemas egrafemas. O problema é a forma como o fazem, a partir de sistematizaçõesde fonemas, que terminam por criar textos absolutamente artificiais, queimpossibilitam o uso das verdadeiras estratégias de leitura, como uma dasmais utilizadas pelos bons leitores: a antecipação.

A escrita como objeto da aprendizagem


A criação das representações escritas ocorreu de forma extra-escolar.Diferentes grupos sociais sentiram necessidade de registrar, por escrito, aspectos importantes de sua vida social, cultural, comercial. No decorrer dos séculos,instituição escola transformou a escrita de objeto social em objeto escolar,mas é importante frisar que a “escrita é importante na escola porque é importante fora da escola e não o inverso”. Dentro da escola, o que se vê como introduçãoao mundo da leitura e da escrita nem sempre está relacionado à leitura viva que impera nos diferentes espaços sociais. A mecanização dos atos de ler eescrever tem dificultado a formação de leitores e escritores.Se nos detivermos em alguns trechos da proposta Multieducação,veremos que nesta, não apenas se diz que a criança constrói conhecimentos de forma ativa, como também de forma interativa. Deve-se levar em contaque é na troca com outros sujeitos e consigo própria que cada criança, com sua experiência de vida, que é sempre singular, constrói conhecimentos.Isto muda o foco da questão. Se há interatividade, o papel do “outro” é fundamental. Isto significa que a mediação de um adulto, o professor, no caso específico da escola, joga um papel importante na construção do processo de leitura e escrita pelas crianças. É por meio dele e de colegas mais experientes que as crianças terão possibilidade de desenvolver novos conhecimentos. O professor deve não apenas organizar propostas de aprendizagem, para que os alunos avancem e construam hipóteses cada vezmais elaboradas, mas atuar firmemente intervindo para que a aprendizagem se efetue, considerando-se “que a aprendizagem é fundamental para o desenvolvimento” . No entanto, em relação à leitura e escrita, nem sempre aintervenção do professor é facilitadora já que há uma tendência a que se estipulem determinados passos metodológicos predeterminados como a seqüência de letras, palavras e orações a serem aprendidas.Quando as crianças aprendem a falar, o fazem sem que os adultos tenhama preocupação de lhes apresentar inicialmente certos fonemas da língua,porque são mais fáceis. Em contraposição ao ensino da linguagem escrita,os adultos simplesmente falam com as crianças em contextos funcionais, o que permite que elas construam significados. Na realidade, as crianças começam por aprender a falar palavras que tenham sentido para elas, em geral, carregadas de conotações afetivas. Com a mediação dos adultos que repetem corretamente suas falas, sem penalizá-las pelos “erros”, as crianças vão aumentando seu vocabulário, organizando as palavras em orações e simplesmente vão falando e falando cada vez com maior fluência. O que ocorre com a aprendizagem da linguagem oral é que as crianças são inseridasno mundo dos textos do cotidiano. Quanto à linguagem escrita, em geral, ascrianças antes mesmo que descubram para que serve a escrita são inseridas num mundo de textos fabricados para se ensinar a ler e a escrever.A comparação entre a aquisição dos dois processos, o da fala e o da leiturae escrita, não significa que aprender a ler e a escrever seja algo espontâneo e natural e que o professor deva esperar que a criança construa suas hipóteses e vá descobrindo todos os meandros da linguagem escrita sozinha, desde que esteja em contato com material gráfico. A intervenção organizada e planejada do professor é fundamental, assim como a mediação do grupo familiar e social em que a criança vive é crucial para a aquisição da linguagem oral. A criança fala porque falam com ela, isto é, ela tem contato desde cedo com a linguagem falada, ouvindo, repetindo.... Incidentalmente, a partir de experiências práticas,a fala se desenvolve. O primeiro passo, portanto, para aprender a falar é ocontato com a linguagem oral. O mesmo ocorre com a linguagem escrita.Segundo Emilia Ferreiro (1993), a construção do processo de leitura eescrita se dá a partir de diferentes hipóteses que vão sendo elaboradas pelas crianças à medida que vão tendo contato com material impresso,cabendo ao professor organizar as condições desta construção. Ferreiro evita o termo aprendizagem da leitura e da escrita por este termo ter, sob sua ótica, adquirido uma conotação empirista.Em momento algum, no entanto, ela nega a existência de um processo de aprendizagem. Aprende-se,portanto, a ler e a escrever e alguém coordena essa aprendizagem. É importante que se frise tal aspecto, porque sob a égide do Construtivismo,muitas vezes, os professores não interferem no processo de construção do conhecimento das crianças, acreditando que esta construção ocorrerá desde o momento em que a criança se defrontar com o objeto de conhecimento.Lamentavelmente depois de um ano na escola, muitos alunos apenas fazem garatujas, bolinhas, pauzinhos e são classificados construtivamente em alunos em fase pré-silábica.

A construção ou aprendizagem da leitura e escrita, segundo a mesmaautora, ocorre em diferentes etapas 3 :

*num primeiro momento as crianças conceituam a escrita como umconjunto de formas arbitrárias que dão nome aos desenhos;

*a seguir começam a elaborar condições de interpretabilidade, taiscomo as hipóteses da quantidade e da qualidade de letras, isto é, há ummínimo de letras que servem para escrever algo, assim como as palavrasse diferenciam pela posição e forma das letras;

*mais tarde há uma fonetização da escrita, quando a criança procura buscar uma relação entre o que se escreve e os aspectos sonoros da fala,subdividindo-se esta fonetização em três períodos (silábico, silábico-alfabéticoe alfabético);

*na fase alfabética, as crianças não dominam inicialmente a ortografia correta, embora seja lícito afirmar que saibam ler e escrever;

*deve-se atentar para o último ponto abordado, já que as crianças ao atingirem esse nível efetivamente sabem ler e escrever, devendo apenas ser orientadas quanto às diferenças e semelhanças sonoras e gráficas entre as palavras, tarefa que não se esgota durante o processo de alfabetização propriamente dito.

O mais importante aqui não é discutir quantas são as etapas nem como etiquetá-las e sim entender que o ato de ler e escrever envolve um processo que pode e deve ser acompanhado pelo professor, que deverá prover situações para que o processo como um todo seja concluído de modo satisfatório.

Identificar e rotular as crianças como pré-silábicas, silábicas ou qualquer outra denominação não significa “ser construtivista”. Esta dificuldade de colocar em prática o que Emilia Ferreiro pesquisou terminou, por no Brasil,criar uma febre construtivista, sem que mudanças efetivas ocorressem nas salas de aula. Na realidade, é tão perversa a classificação pura e simplesde alunos em fases, aceitando-se como natural que permaneçam um, dois,três, quatro anos na mesma fase, quanto no passado foi a classificação dos alunos em carentes sociais e culturais. Durante a vigência das idéias compensatórias, não se questionava o trabalho da escola, porque se naturalizavam as pseudo-carências dos alunos. Hoje, com base numa teoria que se alastrou fortemente entre os professores, de forma equivocada,também se acha natural a permanência indefinida dos alunos em determinado nível de construção do conhecimento. Esta aceitação, tendo como suporte bases científicas, termina por paralisar iniciativas e idéias que sempre surgiram espontaneamente nas salas de aula. A não-alfabetizaçãode contingentes imensos de alunos justifica-se, assim,teoricamente. A má interpretação de uma teoria tem tido resultados danosos na educação brasileira, como se pode constatar em recente avaliação do Sistema Nacional da Educação Básica (SAEB). Nesta pesquisa, os dados informam que cerca de 30% dos alunos, ao final da 4ª série do Ensino Fundamental, não sabem ler.
Importante, também, é compreender que Ferreiro investigou o processo individual das noções infantis sobre a escrita, independentemente das relações sociais e das situações de ensino. Entretanto, o modo como as crianças concebem a escrita precisa ser conhecido, mas deve-se levar em conta que aspectos cognitivos não podem ser isolados de aspectos sociais,culturais, afetivos, enfim, da teia de relações em que a criança vive.Outros teóricos, também citados na proposta Multieducação, comoVygotsky (1987), discutem a questão da aprendizagem da leitura e escrita.Segundo este autor, a aprendizagem de qualquer criança se dá muito antes desua entrada na escola, porém a aprendizagem escolar produz algo fundamentalmente novo no desenvolvimento da criança, já que é através de experiências de aprendizagens compartilhadas que se atua sobre a zona dedesenvolvimento proximal, o que significa que o que o aluno realiza hojecom a ajuda do professor ou de um colega mais experiente, realizará amanhã,sozinho. O autor defende, ainda, a tese de que a mediação sujeito e objeto doconhecimento não se reduz apenas a uma questão de estruturas cognitivas, de processos de assimilação e acomodação, mas também envolve a questão das interações, afetos, desejos, rejeições, relações sociais e situações de ensino.Como Ferreiro, Vygotsky entende que a linguagem escrita primeiramente constitui-se em um simbolismo de segunda ordem, relacionada diretamenteaos sons da fala, para se transformar pouco a pouco em um simbolismo de primeira ordem, em que a fala desaparece como elo intermediário.Segundo Vygotsky (1987), o gesto é o signo visual que contém a futura escrita da criança. Desde muito pequenas, ao realizarem rabiscos, ascrianças demonstram por gestos o que desejariam colocar em seus desenhos.Sendo assim, o desenho inicial da criança pode ser considerado mais comoum gesto do que como um desenho. À medida que aprende a falar, acriança fala e desenha aquilo que fala. Em experimentos em conjuntocom Luria, Vygotsky observou que crianças que não sabiam ler ou escrever,falavam e, enquanto falavam, “escreviam”, rabiscando traços e figuras, e“liam” aquilo que tinham “escrito”. Nesse caso, os símbolos criados pelas crianças nada mais eram do que símbolos de segunda ordem, criados para representar os símbolos falados das palavras. Seria então o caso de a criança entender que se pode desenhar a fala, devendo a escola providenciar para que ocorresse a transição entre desenhar coisas e desenhar a fala, sendo o segredo da linguagem escrita preparar tal transição.Os dois autores citados, cada um sob determinada ótica, procuram entender a história da construção da escrita pelas crianças. Se para Ferreiro existe um sujeito que interage com o objeto de conhecimento – no caso, a escrita – para apreendê-lo, para Vygotsky as crianças interagem com outros sujeitos – seus professores, seus colegas e com todos os afetos, sentimentose rejeições que se estabelecem nas relações interpessoais.

A MULTIEDUCAÇÃO E OS DESAFIOS NA CONSTRUÇÃO DO PROCESSO DE LEITURA E ESCRITA


Afunção primordial da escola, na área da linguagem, é introduzir as crianças no mundo da leitura e escrita, tornando-as capazes de atender às demandas da sociedade, habilitando-as a lidar com esses instrumentos da comunicação. No mundo contemporâneo, a comunicação se efetiva de várias formas, porém, o domínio da leitura e da escrita é fundamental para o exercício pleno da cidadania e para o crescimento cognitivo de cada pessoa.Sendo tão importante na vida das pessoas, é preciso que se tenha bastante clareza dos fatores que fazem parte desse tipo de aprendizagem, para que,conhecendo-os, cada professor possa elaborar seu plano de ação de forma a conseguir o sucesso de seus alunos. Importa, portanto, conhecer como acriança concebe o objeto da aprendizagem, isto é, que concepções ascrianças têm sobre o processo de leitura e escrita, que caminhos são percorridos até a plena apreensão deste processo, porque encontramos alunos com tantas dificuldades para aprender a ler e escrever. Será interessante também, discutir a tão falada e pouco compreendida relação leitura do mundo e leitura da palavra, a necessária desmistificação de alguns mitos criados sobre a alfabetização e, ainda, analisar as competências necessárias ao professor para ensinar no mundo contemporâneo.