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sábado, 24 de novembro de 2007

OS CICLOS NO ENSINO FUNDAMENTAL:ASPECTOS HISTÓRICOS, POLÍTICOS E PEDAGÓGICOS1

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
Câmara de Políticas Sociais Integradas à Educação
INDICAÇÃO N.º 3/2007
Apresenta considerações sobre o pensar pedagógico norteador dos ciclos de formação do Ensino Fundamental da Cidade do Rio de Janeiro
OS CICLOS NO ENSINO FUNDAMENTAL:
ASPECTOS HISTÓRICOS, POLÍTICOS E PEDAGÓGICOS1

Face à política educacional de ampliação dos Ciclos de Formação na Rede Pública da Cidade do Rio de Janeiro, a Câmara de Políticas Sociais Integradas à Educação, do Conselho Municipal de Educação – CME-Rio, considerou pertinente apresentar sua contribuição ao contexto atual da Educação da cidade.
Para tal, diversas sessões e encontros foram realizados para apreciação de vídeos, documentos, leitura e discussão de textos temáticos de diferentes especialistas, além das exposições de profissionais da equipe da Secretaria Municipal de Educação da Cidade do Rio de Janeiro - SME, responsável pela implementação e avaliação da proposta.
O documento que se segue apresenta uma síntese dos aspectos históricos, políticos e pedagógicos que foram considerados mais relevantes na discussão e acompanhamento dessa importante questão.
Para que se possa compreender as políticas recentes da educação pública brasileira, é preciso reorganizar o pensamento através do percurso educacional deste país, onde são encontrados fatos políticos, históricos e econômicos, os quais não só determinam a forma de organização do Estado, como também as políticas educacionais adotadas.
No texto apresentado estão focalizados aspectos históricos e políticos, algumas determinações legais, bem como as questões pedagógicas que envolvem as discussões sobre a organização do Ensino Fundamental em ciclos.
1. Considerações Iniciais
1.1. Aspectos históricos
O movimento da Escola Nova, liderado pelos reformadores da época, Anísio Teixeira, Lourenço Filho, Fernando de Azevedo, Cecília Meireles e outros, levou à criação da Associação Brasileira de Educação (ABE), em 1924, com o objetivo de influir na implantação de novas políticas nesse campo2.
Em 1930, a 14 de novembro, logo no início da era Vargas, foi criado o Ministério da Educação e Saúde. Entretanto, os intelectuais renovadores da educação não tiveram suas propostas políticas de transformação da educação brasileira apoiadas pelo Movimento de 30, que culminou com o período de ditadura de Getulio Vargas e o autoritarismo do Estado Novo (1937-1945).
Apesar de pouco ouvidos pelos governantes, os educadores brasileiros continuaram em sua luta. Do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova3, em 1932, ao Manifesto dos Educadores4, , em 1959, as preocupações com a repetência, a evasão escolar e os índices alarmantes de analfabetismo no país foram mantidas. Em 1958, foi criada a Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo (CNEA) e realizou-se o II Congresso Nacional de Educação de Adultos. Em 1961, depois de treze anos de lutas e de discussões, foi promulgada a Lei 4.024, que regulamentava as diretrizes e as bases da educação nacional, para descontentamento de vários educadores que discordavam de inúmeros de seus artigos.
Houve toda uma história de lutas por uma escola de qualidade que atendesse aos princípios fundamentais da laicidade, gratuidade e obrigatoriedade para todos. Nos anos seguintes, as reformas educacionais previstas nas Leis 4.024, de 1961 (que estabelecia as diretrizes e bases da educação nacional), 5.540, de 1968 (que fixava as normas do ensino superior) e 5.692, de 1971 (que implantou o ensino de 1º e 2º graus), sofreram críticas severas de todos os setores, principalmente as duas últimas, por terem sido promulgadas no período do regime militar implantado no Brasil em 1964.
Em setembro de 1956, em plena discussão política sobre o projeto da primeira lei de diretrizes e bases da educação nacional, que daria origem à Lei 4.024, Anísio Teixeira, durante o Primeiro Congresso Estadual de Educação Primária, proferiu, em Ribeirão Preto (SP), uma conferência, durante a qual fez duras críticas ao modelo de escola primária então existente no Brasil e afirmou:
A escola primária de seis anos, em dois ciclos, (grifo nosso) o elementar de 4 anos e o complementar de 2, com seis horas mínimas de dia escolar, 240 dias letivos por ano e professores e alunos de tempo integral, isto é, proibidos os professores de acumular com a função de ensino qualquer outra ocupação que não fosse estritamente correlata com seu mister de professores primários, seriam os alvos a atingir, digamos, dentro de cinco anos. (Teixeira, 1977, p.79)
Anos depois, em 1962, já após a transferência da capital do país do Rio de Janeiro para Brasília e a criação do Estado da Guanabara, houve uma reforma educacional de grande vulto em nossa cidade. O Ensino Primário, organizado em quatro séries, seguido da 5ª série (Curso de Admissão) e que dava continuidade aos estudos com mais quatro séries do Curso Ginasial, foi ampliado para seis anos, como discursara Anísio Teixeira, tendo o seu acesso expandido em todo o Estado da Guanabara. Dessa forma, no sistema carioca de ensino, os alunos ingressavam aos seis anos no nível 1 e, após seis anos de escolarização com professores primários, tinham acesso ao nível 7, que correspondia à primeira série do Ginásio. Data dessa época também a criação das turmas de aceleração, que, com a intenção de reduzir a repetência e a evasão escolar, permitiam aos alunos cursarem dois níveis em um ano letivo, a fim de alcançarem a relação correta entre a idade e o ano escolar.
A organização escolar da Escola Fundamental em dez anos durou até 1971, quando a Lei 5.692 determinou que o ensino de 1º Grau seria obrigatório dos sete aos 14 anos, com oito anos de estudo. O ano de 1972 foi caótico nas escolas do Rio de Janeiro, que tiveram que se adaptar às normas legais.
A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96) apresenta aspectos menos rigorosos e permite aos sistemas de ensino uma organização mais flexível. Temos um avanço educacional em relação à Lei 5.692/71, que em apenas um artigo se referia à Educação Infantil e definia: “os sistemas de ensino velarão para que as crianças de idade inferior a sete anos recebam convenientemente educação em escolas maternais, jardins de infância e instituições equivalentes” (artigo 19, § 2º). Não havia, portanto, a explicitação do dever do Estado para com estas crianças.
A LDB 9.394/96 não estabelece faixa etária de escolarização obrigatória para o Ensino Fundamental. Ele é um direito público subjetivo para qualquer cidadão, em qualquer idade (artigo 5º). O ingresso no Ensino Fundamental será a partir dos seis anos, como ficou determinado na emenda que alterou o texto original do artigo 32 da LDB e a duração estabelecida pela lei atual é de nove anos, no mínimo, com jornada escolar de “pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola”(artigo 34).
Quanto à carga horária mínima anual ficou estabelecido que, tanto no Ensino Fundamental, quanto no Ensino Médio deverá ser de “800 horas, distribuídas por um mínimo de 200 dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo destinado aos exames finais, quando houver.”(artigo 24, I).
A LDB 9.394/96, ao aumentar para 200 dias letivos o ano escolar do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, retirou nosso país da condição de um dos menores calendários escolares do mundo. Por outro lado, é preciso enfatizar que a carga horária mínima de 800 horas está referenciada na convenção internacional de que a hora é medida em minutos. Uma hora corresponde, em qualquer país do planeta, a 60 minutos. A hora-aula é uma criação do sistema educacional brasileiro, utilizada como um módulo de medida de tempo de duração das atividades pedagógicas desenvolvidas pelas escolas. Dentro desse raciocínio, deve-se verificar em cada escola ou sistema escolar qual o tempo de duração da hora-aula. Encontra-se variedade nesta duração. Há escolas em que a hora-aula é de 50 minutos e em outras é de 45 minutos.
O que a Lei determina não é que os sistemas de ensino tenham que acabar com sua organização de horários diversificados, criados para atender a realidades locais, mas que, ao desenvolver as atividades escolares em módulos de 50 minutos, por exemplo, é necessário que se calcule o número de módulos de 50 minutos que completarão as 800 horas determinadas por lei, o que dará cerca de 960 horas-aula anuais, a serem distribuídas por, no mínimo, 200 dias letivos. Deve-se lembrar ainda que esta carga horária não inclui os períodos de provas finais, como está bem claro no artigo 24. Neste mesmo artigo da LDB, está determinada a “obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar” (art.24, V, e).
Ainda em relação à organização curricular, está estabelecido na LDB que na Educação Básica, diferentemente do que estava redigido nas leis anteriores, o aluno poderá ser classificado em qualquer ano, série ou etapa de ensino, independentemente de comprovação de escolaridade anterior, desde que a escola proceda a uma avaliação de seu grau de desenvolvimento escolar (artigo 24, inciso II, alínea c). Além disso, está prescrito, neste mesmo artigo, que a verificação do rendimento escolar poderá possibilitar tanto avanços nos cursos e nas séries para alunos que demonstrem aprendizagem excepcional, quanto aceleração de estudos para alunos com atraso escolar.
1.2. Aspectos políticos
Na construção do processo democrático, os planos devem ser elaborados pelo conjunto da sociedade e pelo poder público (nacional, estadual, municipal) fixando objetivos, diretrizes e metas para todos os níveis e modalidades de ensino. Seu objetivo maior então é o de garantir aos cidadãos que a educação escolar, enquanto política social, direito de todos e dever indeclinável do Estado, seja oferecida com qualidade, permitindo assim o acesso, a permanência e a aprendizagem escolar. Várias, entretanto, podem ser as formas para a sua elaboração e materialidade. Deste modo, ora são construídos de forma mais democrática - garantindo os processos participativos; ora por comissões criadas pelo poder político. Na atual conjuntura, vê-se como desafio a criação de estratégias que acelerem a democratização dos conhecimentos para todas as regiões do país.
O princípio da igualdade, determinado pela Constituição Federal, deve ser visto como justiça social, não se confundindo com uniformidade, mas como garantia de identidade e de atendimento às diversidades individuais, culturais, econômicas, sociais. É preciso que não se neguem as diferenças, nem as desigualdades.
Para que se alcance a cidadania, em que o companheirismo deve ser desenvolvido, através da solidariedade e do diálogo, é preciso um trabalho político-pedagógico de educação integral, em que se pratique um processo de conscientização de todos, desde a infância, tornando os sujeitos capazes de assumir sua autodeterminação. Paulo Freire ensina que a alfabetização não se reduz apenas à leitura de palavras, mas sim à leitura do mundo e se realiza a partir dos alunos sobre sua capacidade de refletir acerca de suas vivências, sua história de vida, sobre a transformação da realidade. É o despertar da consciência, do pensamento crítico-reflexivo e da cidadania.
Assim, através do diálogo do educador com seus educandos, dos educandos entre si, e de todos com as realidades naturais e culturais da comunidade, as populações poderão caminhar para a participação na construção da vida coletiva, porque o diálogo permite chegar a termos que beneficiem a todos. A educação escolar deve estimular a colaboração, a decisão, a participação e a responsabilidade social e política.
No caso brasileiro, os dados estatísticos apontam para uma escola que não atende à massa de alunos que nela ingressa. A repetência, a evasão, a distorção idade-série, as metodologias e práticas docentes inadequadas e outros fatores têm sido apontados, em diferentes pesquisas, como determinantes da situação alarmante do ensino brasileiro em todos os níveis.
O futuro é construído com base nas percepções sobre o presente e nas ações de resposta a essas percepções. As opções adotadas hoje numa reformulação educacional só começarão a ganhar visibilidade, no mínimo, em cinco anos, como previa Anísio Teixeira há mais de cinqüenta anos atrás.
Além das preocupações com o analfabetismo, a evasão, a repetência, o tempo de permanência do aluno na escola, os currículos e os métodos pedagógicos que permeiam as discussões sobre a escola, também se incluem nesses debates o desenvolvimento das ciências e das tecnologias, não como elementos neutros, mas como instrumentos do processo de desenvolvimento humano e de acumulação de conhecimento e de possibilidades de um futuro mais democrático. Por exemplo, os professores não ignoram a Internet, nem as novas tecnologias. Elas, porém, precisam ser incorporadas com competência à rotina das escolas e à formação dos professores, para que todos os profissionais do magistério e seus alunos sejam incluídos no mundo digital.
1.3. Aspectos pedagógicos
Uma inovação no sistema educacional brasileiro trazido pela LDB em relação à Educação Básica é a possibilidade de sua organização “em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem, assim o recomendar”.(artigo 23).
A organização em ciclos não é uma novidade no sistema educacional brasileiro. O município de Porto Alegre (RS), desde 1995, tem suas escolas organizadas por ciclos de formação. Isso se deu após debates na rede municipal de ensino, que tiveram como marco a Constituinte Escolar da Secretaria Municipal de Educação (SMED), em 1994. Estes debates integraram o Congresso da Cidade (um dos espaços de participação popular da capital gaúcha e da qual participaram pais, alunos, funcionários e professores de todas as escolas) que tinha como questão norteadora: “a escola que temos e a escola que queremos”. As turmas de cada ciclo são organizadas por idade que correspondem à infância (6-8 anos), pré-adolescência (9-11 anos) e adolescência (12-14 anos).
A mesma situação ocorre em Belo Horizonte (MG), onde a implementação da Escola Plural, a partir de 1995, trouxe para a cidade a real possibilidade de concretizar a construção cotidiana de uma escola pública, inclusiva e de qualidade. A Escola Plural traz também a organização baseada em três ciclos, com a mesma distribuição de faixas etárias da Escola Cidadã de Porto Alegre.
A idéia de ciclo de formação é fundamental para o entendimento da proposta pedagógica da Escola Plural, pois incorpora a concepção de formação global do educando a partir da diversidade e dos ritmos diferenciados no processo educativo. A escola cria espaços de experiências variadas, oportunidades para a construção da autonomia e da produção de conhecimentos sobre a realidade. Para o professor, o ciclo favorece o tempo maior para o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem, trabalhando coletivamente com os demais professores e com o acompanhamento de grupos de alunos por mais de um ano.
O Professor Miguel Arroyo, que foi o implementador da proposta da Escola Plural, quando foi Sub-Secretário de Educação, deu recentemente uma entrevista à Revista Criança, publicação do Ministério da Educação dedicada aos professores de Educação Infantil, na qual ele relata suas idéias e propostas para a educação brasileira e faz referências a sua experiência com a Escola Plural:
“Se hoje as camadas populares e sua infância vivem realidades tão negativas, elas têm que ter ações afirmativas. (...) O ideal é entender que a infância penetra no ensino fundamental. Ela vai até os 9 anos, no mínimo. (...) O ciclo da infância no ensino fundamental era até os 8 anos. (...) mas, veja, o que nós fizemos foi acabar com as séries. Então você não estava incluindo a criança de 6 anos na 1ª série. Nós a inserimos no ciclo da infância (...) ...respeitar a infância como infância e a pré-adolescência como pré-adolescência.”(MEC, 2006, p. 3-7).
Vale salientar que a implantação de outros programas de ciclos de formação aconteceu simultaneamente à Escola Plural e à Escola Cidadã, entre elas a Escola Candanga, de Brasília e a Escola Participativa, de Ipatinga (MG), que têm em comum o princípio da garantia do direito à educação e de uma proposta comprometida com a aprendizagem dos alunos. No momento atual, principalmente após a LDB, muitos outros sistemas educacionais brasileiros aderiram à organização por ciclos de formação, por terem constatado que esta forma de atendimento ao alunado contribui para melhoria do trabalho escolar e facilita a interdisciplinaridade no processo ensino-aprendizagem.
2. A Implantação dos Ciclos de Formação na Cidade do Rio de Janeiro
2.1. Uma nova organização de escola
No ano de 1999, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro – SME -definiu como prioridade discutir com a Rede Pública a implantação do Ciclo de Alfabetização5. A grande meta era a universalização do acesso dos alunos a esse período de formação e a garantia do sucesso de todos, desde o início da escolaridade.
O Ciclo de Alfabetização tinha como objetivo propiciar maiores oportunidades de escolarização dos alunos, com um trabalho não fragmentado, dando continuidade ao processo de alfabetização durante um período de três anos. Foram traçados objetivos gerais para o ciclo e específicos para cada ano. Os alunos, no entanto, não ficariam retidos, caso não alcançassem os objetivos previstos.
A concepção básica era recuperar o conceito de que a aprendizagem se dá de forma contínua, sem interrupções, evitando um processo de fragmentação no ensino. Várias ações foram desenvolvidas para estruturar a proposta: consultorias, palestras, e programas de TV elaborados pela SME, em parceria com a Multirio.
Em dezembro de 1999, foi publicada a Portaria E/DGED nº 12 para a implantação do 1º Ciclo de Formação, que determinava a formação das turmas dos alunos de seis a oito anos, por faixa etária. Para os alunos com mais de oito anos de idade com defasagem idade-escolarização foram oferecidos os Programas de Aceleração da Aprendizagem I e II.
No ano de 2000, foi encaminhado a todas as escolas um documento6 em que era proposta uma reflexão sobre a nova organização do tempo, do espaço social e das experiências curriculares. A intenção era que fosse discutida a fragmentação do processo ensino-aprendizagem na seriação, e houvesse a substituição por um trabalho contínuo previsto no Ciclo de Formação, para possibilitar ao aluno a consolidação do processo de leitura e da escrita, os conceitos básicos matemáticos, a compreensão da realidade social e do mundo natural, das artes, da cultura e das ciências.
Para atender a essas mudanças curriculares, a SME estabeleceu novas diretrizes7 para a avaliação do processo de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos da rede. A avaliação deveria ser contínua e subsidiar os professores com diagnósticos significativos, levando em conta o desenvolvimento real e potencial dos alunos. A avaliação deveria abranger diversos saberes, conhecimentos, práticas e habilidades. Nesta perspectiva, os instrumentos de avaliação deveriam contemplar o processo de cada aluno e da turma como um todo. Para isso, os professores deveriam registrar o desenvolvimento dos alunos em um “Relatório Individual” e em um “Relatório Síntese da Turma”, abrangendo o conjunto de conhecimentos do Núcleo Curricular Básico Multieducação (RIO DE JANEIRO/SME, 1996).
A recuperação paralela foi proposta para os alunos que demonstrassem necessidade de ajuda constante e aqueles com dificuldades na construção de conceitos e valores, sob a responsabilidade do professor regente da turma e a colaboração dos demais professores da unidade escolar, inclusive os das salas de leitura, da coordenação pedagógica e da direção.
A Secretaria Municipal de Educação optou por implantar na Rede, de forma gradativa, o sistema ciclado, o que representou adotar, no ano de 2000, apenas o 1º Ciclo de Formação. Por ser uma proposta inovadora, ocasionou, como já esperado, muitas dúvidas entre os professores, as quais foram registradas em relatórios enviados ao E/DGED, e posteriormente analisados pela equipe que assumiu o Departamento, no início de 2001.
A Portaria E/DGED nº 14 de janeiro de 2001 normalizou uma nova forma de enturmação e criou as Classes de Progressão para os alunos que ainda necessitavam construir os conceitos, habilidades e valores relativos à apropriação da leitura e da escrita8. A expectativa das Classes de Progressão era reconduzir o fluxo escolar dos alunos, dando-lhes a possibilidade de serem incluídos na 3ª série ou no Programa de Aceleração da Aprendizagem II. Foi mantido o Programa de Aceleração da Aprendizagem II para os alunos com 11 anos ou mais que cursaram o Programa de Aceleração da Aprendizagem I e foram reprovados.
No período de maio a junho de 2001, foram promovidos pela equipe de Direção do Gabinete do E/DGED 20 encontros, envolvendo todas as Coordenadorias Regionais de Educação, sendo ouvidos 4.115 professores regentes do 1º Ciclo de Formação que apontaram suas demandas, críticas e sugestões para melhoria da prática pedagógica. A partir dessa escuta do campo, sentiu-se a necessidade da criação da Comissão de Professores da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro e a mudança de critérios de enturmação para o ano de 2002.
Os encontros com a Comissão de Professores propiciaram muitas reflexões. Os regentes apontaram um número significativo de alunos do 1º Ciclo de Formação com necessidade de um apoio mais específico em seu processo de ensino-aprendizagem, sendo, então, instituído o Professor de Apoio Pedagógico9. O objetivo era possibilitar a apropriação do processo de leitura e escrita por todos os alunos do Ciclo.
Em 2002, a Portaria E/DGED nº 15 reformulou a organização das turmas, mantendo, entretanto, a mesma concepção de avaliação, permanecendo os indicadores da Resolução 684/2000.
No ano seguinte, 2003, a partir de estudos e discussão com a representatividade dos professores, uma nova Resolução de Avaliação foi encaminhada à Rede10, que passava a expressar o desenvolvimento dos alunos pelos conceitos I (insuficiente), R (regular), B (bom) MB (muito bom) e O (ótimo).
A organização das turmas foi definida pela Portaria E/DGED nº 21 de 2003, e mantida para os anos seguintes pela Portaria E/DGED nº 25 de 2004. O 1º Ciclo de Formação ficou, então, organizado em três períodos: inicial, intermediário e final, para os alunos de seis a oito anos. As Turmas de Progressão, por sua vez, se destinavam aos alunos de nove anos ou mais de matrícula inicial, ou que necessitassem consolidar o processo de leitura e escrita.
A formação continuada dos professores da Rede mereceu a atenção da SME, desde o início da implantação do Ciclo de Formação, tendo sido realizados inúmeros encontros, palestras, seminários e cursos, bem como diversas publicações11 sobre Ciclos de Formação. Além desses, a Multirio produziu 15 programas “Nós da Escola”, com o tema Ciclo de Formação, além do Portal Multirio.
Além das ações de formação continuada já apresentadas, o Departamento Geral de Educação (E/DGED/SME) investiu, de forma incisiva, na formação da Rede, ao promover, no ano de 2006, o curso "Ciclos de Formação", com a consultoria e orientação da Professora Dra. Elvira Lima, para cerca de 12.000 professores; destes, 7000 eram regentes do Ensino Fundamental. Foram discutidos na referida capacitação, os eixos fundamentais de uma escola organizada em ciclos, definida pela política educacional da Cidade do Rio de Janeiro, que incluem gestão, currículo, avaliação, continuidade educativa, formação de coletivos e formação do educador.
2.2. A ampliação dos Ciclos de Formação
A partir das opiniões e das sugestões desses professores que, no ano de 2006, participaram do curso “Ciclos de Formação”, a SME desenvolveu discussões sobre a necessidade de ampliação da organização em ciclos para o Ensino Fundamental, bem como, sobre seus eixos norteadores.
Dessa forma, houve a ampliação do Ciclo de Formação no Ensino Fundamental da Cidade do Rio de Janeiro - três ciclos - cada um com três anos de duração, contemplando os nove anos de escolarização determinados pela Lei 9394/96.
Os eixos fundamentais de uma escola organizada em ciclos, conforme concebida pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, serão apresentados a seguir.
a) Gestão - O gestor de uma escola organizada em ciclos deve privilegiar a ação educativa; neste sentido, as questões administrativas assumem, também, uma dimensão político-pedagógica. É por meio da Gestão que serão definidos e organizados o tempo e o espaço na escola, concretizando as condições necessárias para o desenvolvimento humano e todas as aprendizagens que os alunos necessitam realizar. Sendo assim, ao gestor cabe criar espaços de tomadas de decisões e de iniciativa ampla para o coletivo dos diferentes segmentos da comunidade, articular a elaboração do projeto político-pedagógico e desenvolver uma gestão democrática que promova a articulação de toda a comunidade escolar para um projeto único de escola.
b) Currículo - A atualização do Núcleo Curricular Básico Multieducação (RIO DE JANEIRO/SME, 1996) teve inicio em 2001, sendo concretizada em 2005, com a publicação de oito fascículos, e com previsão de mais 10, em 2007. Esta proposta curricular parte do universo cultural dos alunos, integrando-o aos conhecimentos constituídos historicamente. Nesta perspectiva, a reorganização do tempo e do espaço está diretamente articulada à elaboração coletiva do currículo e às estratégias de sua efetivação, propiciando, assim, a integração dos aspectos afetivo, social, cognitivo, psicomotor, ético, estético e cultural.
c) Avaliação contínua - A avaliação, em qualquer modelo educacional, está diretamente ligada à concepção de escola enquanto instituição social Na atual proposta permanece a avaliação formal (provas e trabalhos), complementada pela avaliação informal (sócio-afetiva). É fundamental também que sejam consideradas ações complementares, tais como recuperação paralela, monitoria, reagrupamentos e outras atividades, visando ao acompanhamento efetivo do processo de desenvolvimento e aprendizagem de cada aluno. É importante ressaltar que em uma escola organizada em ciclos, a avaliação não pode estar centrada somente no desempenho do aluno; abrange toda a escola e tem como objetivo a reorganização da prática pedagógica. Ao se propor o acompanhamento do desenvolvimento e aprendizagem do aluno, a avaliação deve apontar para a elaboração de estratégias e instrumentos de registros que expressem o que e como cada aluno vem aprendendo - informações essenciais para que o professor possa intervir no processo ensino-aprendizagem, revendo sua prática e replanejando, quando necessário..
d) Continuidade Educativa - O Ciclo de Formação implica a reorganização do tempo e do espaço escolares. A formação de conceitos deve ocorrer de forma contínua e crescente, aumentando-se o grau de complexidade, de acordo com a aprendizagem e o desenvolvimento do aluno. Esta proposta contrasta diretamente com o regime seriado, onde os conteúdos curriculares de cada série são pré-estabelecidos. Para tal, os professores precisam estar organizados e articulados de forma integrada, a partir de uma mesma proposta curricular. É na flexibilização do tempo e do espaço na escola e na sala de aula particularmente que se observa a concretude da continuidade educativa.
e) Formação de coletivos - No ambiente escolar, a ética, o respeito e a solidariedade devem ser princípios básicos inquestionáveis. Nesta nova concepção, passa a ser igualmente bastante valorizado o trabalho coletivo. Em outras palavras, a responsabilidade pela aprendizagem do aluno é compartilhada pelo grupo de professores e não apenas pelo professor regente da turma. O planejamento e as demais ações que envolvem a prática pedagógica precisam ter a participação dos profissionais de toda a escola, cujo objetivo é a melhoria da qualidade do processo ensino-aprendizagem.
f) Formação do educador - O Ciclo de Formação privilegia a concepção não só do aluno, mas também do professor, como ser humano em desenvolvimento. Principal agente mediador do processo ensino-aprendizagem, o professor precisa considerar os saberes pedagógicos que já possui, refletir sobre o seu fazer, compartilhar suas experiências e buscar novos conhecimentos.
Em 2007, a Secretaria Municipal de Educação ampliou o Ciclo de Formação para todo o Ensino Fundamental. No que se refere à estruturação das turmas, tomou, como referencial, as fases do desenvolvimento humano:
1º Ciclo de Formação: infância (seis a oito anos)
2º Ciclo de Formação: pré-adolescência (9 a 11 anos)
3º Ciclo de Formação: adolescência (12 a 14 anos)
Para os adolescentes, com 14 e 15 anos, oriundos das turmas de Progressão e que ainda não consolidaram o processo de leitura e escrita, foi criado o “Projeto Adolescentes”, coordenado pela Diretoria de Ensino Fundamental do E/DGED, em parceria com as Divisões de Educação das Coordenadorias Regionais. Este projeto estabelece atendimento aos alunos em horário integral, com atividades culturais e de apoio à aprendizagem, além da formação continuada para os professores e acompanhamento efetivo do Nível Central da SME e do Nível Intermediário – as Coordenadorias Regionais de Educação (CREs).
Outras estratégias para a estruturação das turmas foram elaboradas com o objetivo de atender aos alunos que apresentam defasagem escolaridade-faixa etária, possibilitando a adequação pedagógica às necessidades educacionais desse grupamento de educandos. Entre essas se destacam a recuperação paralela, o apoio pedagógico, o reagrupamento.
Recuperação paralela - A recuperação paralela é um mecanismo de apoio determinado pela própria LDB, dirigida aos alunos que apresentem dificuldades ou que tenham ingressado tardiamente na escola. Cabe ao professor regente a orientação específica, adequada às necessidades educacionais de cada aluno, possibilitando, através de novos caminhos pedagógicos, novas estratégias com o objetivo de repensar os conhecimentos e experiências vivenciadas pelo alunado.
Apoio pedagógico - Caso persistam as dificuldades de aprendizagem, o aluno poderá ser atendido pelo professor de apoio pedagógico que trabalhará em conjunto com o professor regente, tanto na elaboração do planejamento e realização de atividades, quanto no processo avaliativo.
Reagrupamento - A partir do mapeamento das habilidades de professores e alunos e do levantamento das necessidades educacionais destes últimos, a escola deverá realizar, o reagrupamento de seus alunos. Esta ação pressupõe um trabalho coletivo, em que todos os professores são responsáveis pela aprendizagem de todos os alunos. Atividades diversificadas e específicas para cada grupamento deverão possibilitar a inclusão e o desenvolvimento de todos.
Centros de Estudos - Os Centros de Estudos, tanto para alunos, como para professores, se constituem em espaços privilegiados da aprendizagem coletiva no sistema ciclado.
No CEST (Centro de Estudos para os alunos), os educandos são orientados por um professor lotado na escola, com liderança junto a professores e alunos, que incentivará a aprendizagem e a autonomia nos alunos com os quais interage. O CEST deverá ocorrer semanalmente. Algumas das competências e habilidades a serem desenvolvidas no CEST são:
consultas e pesquisas em dicionários, livros, Atlas, jornais, revistas, internet, vídeos e outros recursos;
trabalhos e estudos em equipe;
atividades que auxiliem no processo de formação de conceitos
outras atividades com objetivos semelhantes.
O Centro de Estudos para professores (CE) se constitui, também, em mais um espaço coletivo de formação continuada para todos os profissionais da Rede. Para tal, foi instituído um dia comum -- quarta-feira -- destinado à formação e crescimento profissional dos professores. Sua finalidade é, portanto, implementar na Rede espaços integrados de estudo e discussão, para que se alcance excelência no ensino público: acesso, permanência e o desenvolvimento integral de todos os alunos, no período de nove anos.
Centros de Estudos bem planejados contribuirão para a formação continuada dos professores, levando-os à utilização de metodologias adequadas aos alunos de cada turma do Ciclo, favorecendo maior conhecimento da realidade sócio-cultural da comunidade escolar e melhor utilização dos recursos didáticos.
Vale ressaltar que os Centros de Estudos não são novidade em nossas escolas. São incontáveis as experiências bem sucedidas relatadas não só em seminários e congressos, como em depoimentos apresentados para concorrer ao Prêmio Anísio Teixeira, organizado pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro ou nos antigos concursos instituídos pelo MEC - Prêmio Incentivo à Educação Fundamental e Prêmio Qualidade na Educação Infantil, atualmente unificados no Prêmio Professores do Brasil, nos quais temos tido professores da cidade do Rio de Janeiro entre os finalistas.

2.3 O projeto pedagógico das escolas organizadas em Ciclos de Formação
A LDB situa os estabelecimentos de ensino e os profissionais da educação como responsáveis pela elaboração de seu projeto de escola, cabendo informar à sua comunidade sobre a execução de sua proposta pedagógica, conforme registram os artigos 12, 13 e 1412. Nas escolas organizadas em Ciclos de Formação, a elaboração e a avaliação constante do projeto político-pedagógico se fazem ainda mais necessária.
É muito importante reconhecermos que o projeto pedagógico redimensiona a importância dos Ciclos de Formação e de seus profissionais, cabendo ao sistema de ensino assumir o papel de coordenação, apoio e incentivo às escolas, como tem sido feito pelas equipes da Secretaria Municipal de Educação e das Coordenadorias Regionais de Educação (CRE).
Entretanto, ainda se verifica que muitas unidades escolares não compreenderam a relevância e a responsabilidade com a elaboração do projeto político-pedagógico, fazendo com que não se consiga assegurar a gestão democrática na escola. Na organização em Ciclos, é fundamental a participação de toda a comunidade escolar para que seja expressa a vontade coletiva e se assegurem os princípios democráticos em todas as escolas.
O aspecto administrativo do projeto político-pedagógico de uma escola organizada em ciclos inclui as normas de funcionamento; a divisão de tarefas pelo corpo docente de cada Ciclo e pelos servidores técnico-administrativos; o planejamento dos horários das atividades da escola; o controle financeiro e a aplicação dos recursos obtidos, a organização de arquivos e documentos de alunos, professores e funcionários e o regimento interno da escola. Este aspecto é completado pela dimensão jurídica, que deverá nortear as decisões finais da equipe escolar. A legislação pertinente ao campo educacional (leis, decretos, pareceres, resoluções, deliberações) tanto a federal, como a estadual e municipal não pode ser esquecida ao elaborarmos um projeto pedagógico.
Quanto ao aspecto comunitário, é ele que vai dar a identidade da escola. É através dele que os pais, os alunos, os ex-alunos, os servidores, a comunidade do entorno da escola serão chamados a participar, a opinar, a avaliar as atividades desenvolvidas no cotidiano escolar. É preciso lembrar, que a escola organizada em ciclos deve garantir a existência de grêmios, associações de pais e mestres, “clubes de mães” e outros grupos representativos da sociedade, possibilitando a participação de todos, a fim de que se sintam co-responsáveis pelo seu projeto político-pedagógico.
Sob o aspecto pedagógico, deverão ser levantadas as demandas da comunidade escolar, o perfil dos professores da escola, o diagnóstico do desempenho dos alunos nos anos anteriores e as condições educacionais que a escola oferece (laboratórios, salas de leitura, equipamentos, quadras, auditório, refeitório, oficinas etc). A partir destes levantamentos, e com a visão de homem e sociedade que queremos, será possível traçar as metas a serem alcançadas e os objetivos que deverão orientar os planos de trabalho de cada professor.
Para que o projeto pedagógico da escola organizada em ciclos seja desenvolvido plenamente, é necessário que os professores que nela atuam tenham um diálogo franco e freqüente sobre suas experiências pedagógicas, suas dificuldades e observações registradas sobre cada aluno. É preciso uma avaliação freqüente do corpo docente sobre o desenvolvimento do projeto político-pedagógico. Daí, a importância da realização dos Centros de Estudos.
3. Considerações Finais
A escola do século XXI deve levar em consideração diferentes saberes, experiências e propostas pedagógicas para consolidar uma educação voltada para a diversidade e inclusão social. Na medida em que se pensa uma escola organizada em ciclos, uma escola que se proponha, de forma flexível, atender à pluralidade de seu alunado, alguns aspectos tornam-se ainda mais relevantes. Com o objetivo de atender às necessidades educacionais de todos os alunos, ampliando seus conhecimentos, oferecendo respostas educacionais adequadas às suas necessidades, a escola organizada em ciclos precisará rever as ações empreendidas, buscando atividades alternativas e novas metodologias de ensino.
Esta escola, ao elaborar o projeto político-pedagógico deve considerar as características sócio-culturais e individuais dos alunos, a partir de sua identidade, bem como a avaliação realizada pela equipe técnico-pedagógica da escola e o resgate dos conhecimentos historicamente construídos.
O currículo deve apresentar conhecimentos contextualizados e em consonância com o mundo atual. O uso de metodologias adequadas para atender às especificidades do alunado e a interação permanente da equipe escolar com a família e a comunidade propiciarão aos alunos a percepção crítica da realidade e favorecerão a aprendizagem.
A avaliação deve ser contínua e processual, constituindo-se um referencial para o replanejamento pedagógico. Ou seja, o enfoque dado à avaliação - incluindo relatórios sobre a trajetória escolar de cada aluno - deverá permitir a consolidação do processo ensino-aprendizagem, assim como a percepção das dificuldades existentes, a fim de que a escola realize o atendimento específico a cada aluno e que todos obtenham os resultados desejados.
Finalmente, torna-se necessário reiterar a importância dos Centros de Estudos, nas quais o corpo docente poderá planejar e rever suas ações, a partir das experiências vivenciadas individualmente ou pelo grupo. É importante enfatizar que, na escola organizada em ciclos, a gestão democrática, a atualização contínua dos profissionais da educação e, principalmente, o trabalho coletivo possibilitarão a aprendizagem de todos os alunos e a construção de uma escola cidadã.
Como registrado em uma publicação do Conselho Municipal de Educação do Rio de Janeiro:
“Não se pode conceber uma escola do século XXI alheia ao diálogo, à informação e à troca de experiências. A participação democrática e contínua, no dia a dia da escola, e na elaboração e acompanhamento do Projeto Político-Pedagógico reflete a necessidade de uma atuação vigorosa e significativa de professores, pais, associação de moradores, organizações não governamentais, alunos, bem como dos conselhos organizados”.(CME-Rio, 2004, p.14)
Aprovado como indicativo pela plenária do Conselho Municipal de Educação do Rio de Janeiro, em 29 de maio de 2007.
2 Os anos vinte do século passado foram marcados por fatos relevantes no processo histórico-político brasileiro. Foi nesta década que ocorreu a Semana de Arte Moderna (1922), que trouxe novas percepções para a educação e a cultura. No que se refere à educação, houve diversas reformas de abrangência estadual: a de Lourenço Filho, no Ceará, em 1923, a de Anísio Teixeira, na Bahia, em 1925, a de Francisco Campos, em Minas, em 1927, a de Fernando de Azevedo, em 1928, no Distrito Federal (atual Município do Rio de Janeiro).
3 Em 1932, um grupo 26 educadores, que defendia a educação como uma função essencialmente pública, assinou e divulgou à nação o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, redigido por Fernando de Azevedo e assinado por outros conceituados educadores da época como Anísio Teixeira, Lourenço Filho, Roquette Pinto, Delgado de Carvalho, Cecília Meirelles, Pascoal Lemme. O texto do Manifesto começa com uma frase que ainda podemos considerar atual: “Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade ao da educação. Nem mesmo os de caráter econômico lhe podem disputar a primazia nos planos de reconstrução nacional. Pois, se a evolução orgânica do sistema cultural de um país depende de suas condições econômicas, é impossível desenvolver as forças econômicas ou de produção, sem o preparo intensivo das forças culturais e o desenvolvimento das aptidões à invenção e à iniciativa que são os fatores fundamentais do acréscimo de riqueza de uma sociedade”.
4 Em 1959, uma emenda ao projeto de lei de diretrizes e bases da educação nacional, defendida pelo Deputado Carlos Lacerda prevaleceu sobre o texto original, alterando-o substancialmente.· Cento e oitenta educadores – incluindo os mesmos que assinaram o manifesto de 32 - lançaram o Manifesto dos Educadores: Mais uma Vez Convocados, solicitando ao governo que o projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional fosse rejeitado. Em um dos trechos, os educadores afirmam: “Não negamos nenhum dos princípios por que nos batemos em 1932, e cuja atualidade é ainda tão viva, e mais do que viva, tão palpitante que esse documento, já velho de mais de 25 anos, se diria pensado e escrito nestes dias. Vendo, embora com outros olhos a realidade, múltipla e complexa, – porque ela mudou, e profundamente, sob vários aspectos, – e continuando a ser homens de nosso tempo, partimos do ponto em que ficamos, não para um grito de guerra que soaria mal na boca de educadores, mas para uma tomada de consciência da realidade atual e uma retomada, franca e decidida, de posição em face dela e em favor, como antes, da educação democrática, da escola democrática e progressista que tem como postulados a liberdade de pensamento e a igualdade de oportunidades para todos”.
5 A Organização do Ciclo de Alfabetização (E-DGED/ SME-RJ, 1999).
6 1º Ciclo de Formação – documento preliminar (E-DGED/ SME-RJ, 2000).
7 Resolução SME nº 684 /2000.
8 Para os alunos com nove anos ou mais de matrícula inicial na rede, e os da mesma faixa etária que cursaram o 1º Ciclo de Formação e o Programa de Aceleração de Aprendizagem I, no ano anterior.
9 Este professor deveria ter experiências bem sucedidas em alfabetização e trabalhar com oito grupamentos de até 15 alunos, semanalmente.
10 Resolução de Avaliação nº 776/2003.
11 “Boletim Sugerindo”, “Espaço Progressão”, “Proposta de trabalho para as turmas do 1º Ciclo de Formação e da Progressão”, “Revista Nós da Escola”, “Revista Convívio”, “Caderno do Professor”, e o fascículo de atualização da MultiEducação “Refletindo sobre o trabalho no 1º Ciclo de Formação”.
12 Os artigos 12, 13 e 14 da LDB merecem uma leitura atenta por todos os profissionais da educação. É neles que vamos encontrar as incumbências dos estabelecimentos de ensino (artigo 12) e dos professores (artigo 13), e os princípios da gestão democrática a serem assegurados pelos sistemas de ensino (artigo 14).
Referências Bibliográficas
BRASIL, PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Lei 5692, de 11 de novembro de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o Ensino de 1º e 2º Graus. Publicada no DOU de 12 de agosto de 1971.
BRASIL, PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Lei 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e as Bases da Educação Nacional. Publicada no DOU de 23 de dezembro de 1996.
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Imagens quebradas: (entrevista do Professor Miguel Arroyo a Adriano Guerra). Revista do Professor de Educação Infantil Brasília: MEC, nº 41, nov. 2006.
CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO / CÂMARA DE POLÍTICAS SOCIAIS. O pensar pedagógico – reflexões (caderno I: elementos essenciais para a construção de uma escola democrática de qualidade. Rio de Janeiro: CME-Rio, 2004 (Caderno I)).
RIO DE JANEIRO. SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. Núcleo Curricular Básico Multieducação. Rio de Janeiro: SME, 1996.
TEIXEIRA, Anisio. Educação não é privilégio. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1977.

Conselheiros:
Bertha de Borja Reis do Valle
José Omar Duarte Ventura
Katia Regina Batista Borges
Leny Corrêa Datrino
Maria de Nazareth Machado de Barros Vasconcellos
Rosana Glat
Sergio de Almeida Bruni
Conclusão do plenário
Esta Indicação foi aprovada pelos presentes na sessão Plenária Pública do dia 29 de maio de 2007
Sonia Maria Corrêa Mograbi – Presidente
Maria de Nazareth Machado de Barros Vasconcellos
Angela Mendes leite
Leila de Macedo Varela blanco
Sérgio de almeida Bruni
Mariza Lomba Pinguelli Rosa
José Omar Duarte Ventura
Ana Maria Gomes Cezar
Antônio Rodrigues da Silva
Luiz Eduardo cortez diniz rocha lima
rosana glat
bertha de borja reis do valle
eliane magalhães da silva
kátia regina batista borges
sérgio sodré peçanha

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Contando grandes quantidades

Contando grandes quantidades


Você já reparou que, quando precisamos contar uma grande quantidade de coisas, vamos separando os objetos em montes ou em grupos, pois isto facilita a contagem? É isto que fazemos, por exemplo, quando contamos por dúzias. Contar por dúzia é uma forma de agrupar: agrupar de 12 em 12.
Em muitas situações, os agrupamentos são necessários e facilitam o trabalho do homem. Observe, por exemplo, como são embaladas muitas coisas que compramos. Os fabricantes agrupam um determinado número de unidades em cada embalagem. Por exemplo: as barrinhas de drops vêm com o mesmo número de balas, os maços de cigarro vêm sempre com o mesmo número de cigarros.

Você já viu alguma vez um pacote grande de fósforos? Um pacote grande vem com 20 maços, cada maço com 10 caixas e cada caixa com 40 palitos de fósforo. Em relação ao pacote grande de fósforos mencionado, responda:
a) Quantos fósforos tem um maço com 10 caixas de fósforos ?
_______fósforos
b) Quantos fósforos tem um pacote grande ?
_______fósforos

Mas, em que época de sua história o homem percebeu que agrupar ajuda a contar? Sabemos que não foi de um dia para o outro. Sabemos também que as primeiras formas de agrupar, provavelmente, se relacionavam com as mãos e também com os pés. O homem deve ter começado a agrupar de cinco em cinco, de dez em dez, de vinte em vinte, fazendo a correspondência com os dedos das mãos e dos pés.

Os primeiros registros de números

Os primeiros registros de números



Nos museus de todo o mundo há inúmeros objetos com marcas, pertencentes a épocas antigas. São pedaços de pau com talhos, pedaços de barro com marcas e cordas com nós. Existem cavernas em cujas paredes podemos ver marcas talhadas ou pintadas.
Isso parece indicar que o homem sentiu necessidade de registrar o total de objetos que contava. E como se fazia isso? Para registrar o total de objetos ele usava também a correspondência um a um: uma marca para cada objeto.

Como surgiu a noção de número

Como surgiu a noção de número
Quando enfrentamos situações em que queremos saber "quantos", nossa primeira atitude é contar. Mas os homens que viveram há milhares de anos não conheciam os números nem sabiam contar. Então como surgiram os números?
Para responder a essa pergunta precisamos ter uma idéia de como esses homens viviam e quais eram suas necessidades. Naquele tempo, o homem, para se alimentar, caçava, pescava e colhia frutos; para morar, usava cavernas; para se defender, usava paus e pedras.
Mas esse modo de vida foi-se modificando pouco a pouco. Por exemplo: encontrar alimento suficiente para todos os membros de um grupo foi se tornando cada vez mais difícil à medida que a população aumentava e a caça ia se tornando mais rara. O homem começou a procurar formas mais seguras e mais eficientes de atender às suas necessidades.
Foi então que ele começou a cultivar plantas e criar animais, surgindo a agricultura e o pastoreio, há cerca de 10.000 anos atrás.
Os pastores de ovelhas tinham necessidades de controlar os rebanhos. Precisavam saber se não faltavam ovelhas. Como os pastores podiam saber se alguma ovelha se perdera ou se outras haviam se juntado ao rebanho?
Alguns vestígios indicam que os pastores faziam o controle de seu rebanho usando conjuntos de pedras. Ao soltar as ovelhas, o pastor separava uma pedra para cada animal que passava e guardava o monte de pedras.
Quando os animais voltavam, o pastor retirava do monte uma pedra para cada ovelha que passava. Se sobrassem pedras, ficaria sabendo que havia perdido ovelhas. Se faltassem pedras, saberia que o rebanho havia aumentado. Desta forma mantinha tudo sob controle.
Uma ligação do tipo: para cada ovelha, uma pedra chama-se, em Matemática, correspondência um a um.

Fazer correspondência um a um é associar a cada objeto de uma coleção um objeto de outra coleção. Como você vê, o homem resolveu seus primeiros problemas de cálculo usando a correspondência um a um.A correspondência um a um foi um dos passos decisivos para o surgimento da noção de número.
Afinal, alguma coisa em comum existia entre o monte de pedras e o grupo de ovelhas: se a quantidade de pedras correspondia exatamente à quantidade de ovelhas, esses dois conjuntos tinham uma propriedade comum: o número de ovelhas ou pedras.
Mas, provavelmente o homem não usou somente pedras para fazer correspondência um a um. É muito provável que ele tenha utilizado qualquer coisa que estivesse bem à mão e nada estava mais à mão do que seus próprios dedos. Certamente o homem primitivo usava também os dedos para fazer contagens, levantando um dedo para cada objeto.
Entretanto, surgiu um novo problema: levantar dedos permitia saber, no momento, a quantidade de objetos, mas não permitia guardar essa informação. Era fácil esquecer quantos dedos haviam sido levantados. Separar pedras já permitia guardar a informação por mais tempo, mas não era muito seguro. Surgiu, portanto, o problema de registrar as
quantidades.
A seguir, responda o seguinte problema e depois verifique a resposta.


Pergunta: Imagine que você esteja numa festa-baile. Em que momento é mais fácil saber se há mais homens ou mais mulheres na festa: quando estão dançando, ou quando a música para e as pessoas estão conversando pelo salão? Por quê?.


Resposta: O momento mais fácil para se saber se existem mais homens ou mulheres no salão é quando as pessoas estão dançando. Verificando as pessoas que não estão dançando, tem-se uma idéia precisa da maioria de homens ou mulheres.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Espaço: orientação, representação e organização

O primeiro objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas, e não simplesmente de repetir o que outras gerações fizeram – pessoas criativas, inventivas e descobridoras. O segundo objetivo da educação é formar mentes que possam ser criticas, possam verificar e não aceitar tudo que lhes é oferecido. ”(Piaget)
A Geografia, em seu processo de desenvolvimento, veio consolidando teoricamente sua posição como uma ciência que busca conhecer e explicar as múltiplas dimensões envolvendo a sociedade e a natureza, o que pressupõe um amplo conjunto de interfaces com outras áreas do conhecimento científico. Compreender essa realidade espacial, natural e humana como uma totalidade dinâmica é um dos objetivos da Geografia.
A Geografia é uma ciência comprometida em tornar o mundo compreensível, explicável e passível de transformações pelas sociedades. O ensino da Geografia, por conseguinte, deve levar os alunos a compreender melhor a realidade na qual estão inseridos, possibilitando que nela interfiram de maneira consciente e propositiva.
Sua crescente atração e expansão temática, nas últimas décadas, é fruto da introdução e aprofundamento de novas metodologias e tecnologias de representação do espaço (geoprocessamento e sistemas geográficos de informação, cartografia automatizada, sensoriamento remoto, etc.); expansão do acervo teórico e metodológico em nível de pesquisa básica (campos temáticos tais como geo-ecologia, geomorfologia, redes geográficas, geografia urbana, geografia cultural, geografia econômica, geografia política e recursos naturais, etc.), e da pesquisa aplicada (planejamento e gestão ambiental, urbana e rural).
A formação do aluno cidadão deve ser construída paulatinamente em todas as etapas da escolarização e as disciplinas que compõem a área de Ciências Humanas contribuem efetivamente para este objetivo.
Ao longo dos anos, devemos sempre estar atentos para que os alunos já sabem a respeito do mundo social. Eles trazem muitas reflexões construídas a partir de observações, do convívio social e de informações veiculadas nos meios de comunicação. Esses saberes devem ser reforçados, ampliados e até mesmo reelaborados por meio de incentivo à pesquisa, estimulo à argumentação. Apoio à criatividade. Intercâmbio de idéias, análise e interpretação de diversas fontes e linguagens.
O estudo do espaço geográfico pressupõe a compreensão da dinâmica da sociedade, que nele vive e o (re)produz constantemente, e da dinâmica da natureza, fonte primeira de todo real e permanentemente apropriada e modificada pela ação do homem.
Ao buscar compreender as relações econômicas, políticas, sociais e suas práticas nas escalas local, regional, nacional e global, a Geografia se concentra e contribui, na realidade, para pensar o espaço enquanto uma totalidade na qual se passam todas as relações cotidianas e se estabelecem as redes sociais nas referidas escalas.
Precisa-se transformar a antiga idéia, aceita e amplamente praticada nas salas de aula, da Terra enquanto espaço absoluto, cartesiano, ou seja, “uma coisa em si mesma, independente [...], constituindo um receptáculo que contém coisas”, para o espaço relacional, entendendo-se que “um objeto somente pode existir na medida em que ele contém e representa dentro de si relações com outros objetos”.
[1]
Surge, pois, o objeto dos nossos estudos: o espaço geográfico. Definido por Milton Santos em sua vasta obra sobre o assunto, é o conjunto indissociável de sistemas de objetos (redes técnicas, prédios, ruas) e de sistemas de ações (organização do trabalho, produção, circulação, consumo de mercadorias, relações familiares e cotidianas), que procura revelar as práticas sociais dos diferentes grupos que nele produzem, lutam, sonham, vivem e fazem a vida caminhar.
Nunca o espaço do homem foi tão importante para o desenvolvimento da história. Por isso, a Geografia é a ciência do presente, ou seja, é inspirada na realidade contemporânea
[2]. O objetivo principal destes conhecimentos é contribuir para o entendimento do mundo atual, da apropriação dos lugares realizada pelos homens, pois é através da organização do espaço que eles dão sentido aos arranjos econômicos e aos valores sociais e culturais construídos historicamente. Com esta idéia, procura-se, conforme o Artigo 35, inciso III da LDB “o aprimoramento do educando como pessoa humana incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico”.
No Ensino Fundamental, o papel da Geografia é “alfabetizar” o aluno espacialmente em suas diversas escalas e configurações, dando-lhe suficiente capacitação para manipular noções de paisagem, espaço, natureza, Estado e sociedade.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Dengue é um dos flagelos do século

Em artigo na Folha de S.Paulo, no sábado, o médico Drauzio Varella alertou para a urgência da descoberta de uma vacina contra a dengue. Teste-se sobre a doença que exige de moradores e autoridades públicas a eliminação de focos de água parada. (Foto: Mauricio Vieira/Fotosite)

1-A dengue é uma doença provocada por vírus. Qual o nome do mosquito vetor da dengue?


· Aedes aegypti



2-Dengue e dengue hemorrágica são causadas por mais de um subtipo de vírus da família Flaviviridae. Eles são geneticamente parecidos. São quantos, os subtipos?


· Quatro



3-Assinale a alternativa que apresenta um conteúdo incorreto sobre as doenças causadas por vírus:


· Os vírus da dengue são sensíveis a antibióticos, soros e vacinas



4-Os vírus da dengue têm genoma semelhante ao de uma outra doença, que é transmitida por um mosquito do mesmo gênero do vetor da dengue. Qual?


· Febre amarela



5-Como é feito o diagnóstico da dengue? E quais os sintomas da doença?



· Por exame de sangue; febre alta, dores musculares e nos ossos, de três a sete dias após a picada do mosquito

domingo, 18 de novembro de 2007

CARTOGRAFIA NA ESCOLA

CARTOGRAFIA NA ESCOLA

No ensino de Geografia, bem como de outras áreas, as atuais formas produtivas exigem domínio de conhecimentos científicos e técnicos veiculados amplamente pelos meios de informação. O indivíduo que não domina as variadas formas de representação desses conhecimentos está impedido de pensar sobre aspectos do território que não estejam registrados em sua memória. Então, uma das funções da escola consiste em preparar o aluno para compreender a atual organização da sociedade, dando-lhe acesso às novas formas de representação da informação espacial: mapas, fotografias aéreas, imagens de satélites.Os mapas, durante muito tempo, foram considerados como o principal meio para o ensino de Geografia, porém, nos currículos oficiais, constavam poucos detalhes a esse respeito. Tais documentos mencionavam, principalmente, “localização, orientação e representação de dados”, como conhecimentos necessários para o estudo do espaço geográfico. Atualmente, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de Geografia nos 2 primeiros ciclos do Ensino Fundamental (1a à 4a série) citam, entre os conteúdos a serem ensinados, a “linguagem cartográfica”. No primeiro ciclo, sugerem um início com a leitura e produção de “mapas simples” e indicam como um de seus objetivos o reconhecimento dos referenciais de “localização, orientação e distância”. Já no segundo ciclo, a representação do espaço deve avançar para “o aprofundamento da noção de proporção e escala” e para “os referenciais de localização, os pontos cardeais, as divisões e contornos políticos dos mapas, o sistema de cores e legendas”. No volume dos PCN de Geografia para o 3o e 4o ciclos (5a à 8a série) foi destinado o eixo 4, “A Cartografia como instrumento na aproximação dos lugares e do mundo”, para a abordagem da “linguagem cartográfica”.É a primeira vez que as recomendações curriculares oficiais tratam a Cartografia, de modo mais específico, como parte do programa de Geografia. Ainda que isso represente um avanço, várias questões devem ser consideradas para que a Cartografia se torne, de fato, um bom meio para se conhecer “os lugares e o mundo”.

O DESENHO E O MAPA
Entre as linguagens gráficas encontram-se o desenho e o mapa. O primeiro consiste em uma das manifestações mais antigas da humanidade, presente na cultura de praticamente todos os povos. Aparece espontaneamente nas atividades das crianças, desde bem pequenas. O segundo resulta de séculos de acumulação de conhecimentos e do desenvolvimento de técnicas cartográficas, o que exige um longo aprendizado para que se possa ler e entender os mapas. No entanto, quando pensamos em ambos como linguagens podemos estabelecer paralelo interessante entre eles, no ensino.

Há diversos estudos a respeito do desenho de crianças. Vamos nos ater, neste texto, a aspectos relativos à representação do espaço no desenho infantil. É conveniente, antes, lembrar as fases do desenho, pois são mencionadas em muitas publicações destinadas aos professores.

Uma das primeiras publicações a respeito do desenho de crianças foi realizada por Georges-Henri Luquet, em 1913, ao escrever a obra Os desenhos de uma criança, na qual apresenta os desenhos de sua filha. Em 1927, publicou a obra clássica O desenho infantil. Conforme visão vigente em sua época, Luquet considerou as produções gráficas das crianças tomando como referência o desenho do adulto, daí a interpretação dada por ele repousar na noção de realismo. Apesar de não aceitarem esse ponto de vista, estudos posteriores, principalmente em psicologia, continuaram a usar a terminologia de Luquet, o que lhes deu uma visão marcadamente evolutiva. A influência desses estudos no ensino pode levar os professores a verem, de modo inadequado, os desenhos das crianças como produções a serem melhoradas, ou até como incorretas.

Para as crianças, desenhar é brincar. “A criança desenha para se divertir”, disse Luquet. Os primeiros desenhos são feitos pelo prazer de riscar, de explorar as possibilidades do material (lápis de cor, giz de cera, caneta hidrográfica), para produzir efeitos interessantes no papel. É uma atividade lúdica, na qual os rabiscos não têm um significado determinado.
Quando a criança percebe que grafismos podem significar coisas, inaugura uma nova fase, que Luquet denominou incapacidade sintética, na qual ainda predominam rabiscos que são associados a objetos do mundo real, porém o mesmo rabisco, conforme o momento, pode representar diversos objetos.
As crianças vão desenvolvendo grafismos mais elaborados, diferenciando formas retilíneas e curvilíneas, porém não integram elementos no desenho para compor figuras ou cenas, os elementos permanecem apenas justapostos.
É comum ocorrer justaposição de desenho e imitação de escrita, o que atende à necessidade de registrar as explicações sobre o desenho, antes feitas oralmente. Podemos, talvez, considerar essas explicações como forma de estabelecer uma ligação entre os elementos.
Desenho e escrita evoluem por caminhos paralelos na construção do conhecimento pela criança. Quando a criança percebe que seus rabiscos servem para apresentar objetos e que é ela quem estabelece a relação entre o desenho e o objeto, inicia-se a construção de um amplo sistema gráfico, no qual engendram-se a escrita e outras formas gráficas, como os mapas.
Relembramos que “considerando o desenho dessa forma, pode-se ir além dos estágios do desenho infantil, e analisá-lo como expressão de uma linguagem, da qual a criança se apropria ao tornar visíveis suas impressões, socializando suas experiências” (Almeida, 200, p. 27).
Quanto à relação entre os elementos no espaço, os desenhos infantis apresentam, inicialmente, objetos isolados. Podem estar no mesmo campo visual, o que configura uma tentativa de estabelecer relação entre eles. O autor do desenho abaixo (figura 1) apresenta uma cena: uma casa e flores sobre o solo, acima aparecem nuvens e o Sol. A cena está estruturada no papel a partir de uma linha de base que estabelece relação espacial entre os objetos (inter-figural), que estão acima da mesma, ocupando posições à direita e à esquerda uns dos outros. Neste caso, as flores estão à direita da casa.


Figura 1: Casa com flores (André, 5 anos e 10 meses)


Estudando produções de diversas crianças Luquet chamou de realismo intelectual a fase em que não incluem apenas os objetos que podem ver, mas também aquilo que elas sabem que existe. Nesses desenhos, há ausência de elementos visíveis e acréscimo de elementos que não são visíveis; aparecem formas peculiares de perspectiva como rebatimentos, mistura de pontos de vista e justaposição espacial e temporal. São comuns desenhos com transparências, como o exemplo da figura 2, onde aparece a casa, com objetos, a mãe e a criança, o cachorro e o gato; do lado externo, o papai está caminhando para o trabalho.
Figura 2 – Casa desenhada por René. Fonte: Freinet (1977, p. 222).






Os rebatimentos dizem respeito à representação de elementos de um plano sobre outro, geralmente do plano vertical sobre o horizontal. Desenhar objetos em um mesmo campo visual, mas sob pontos de vista diferentes, é um recurso muito usado pelas crianças para apresentar no espaço gráfico (bidimensional) uma situação observada no espaço real (tridimensional). Na figura 3, a criança apresenta o prédio visto de frente, o pátio visto de cima e justaposto ao prédio. No pátio, desenhou crianças e outros objetos rebatidos.
Figura 3 – Prédio e jardim desenhados por Simonne Luquet. Fonte: Luquet (1969, p. 176).




A figura 4 mostra o desenho do quarteirão onde um menino mora. As ruas aparecem sob o ponto de vista de cima, todas as casas sob o ponto de vista frontal.
Figura 4 – Quarteirão onde mora Eric.


Fonte: Chombart de Lauwe. Espaces d’enfants. Ed. Delval. 1987. p. 60.

Apesar da mistura de pontos de vista, seu autor manteve as mesmas relações espaciais para todos os objetos: as casas estão alinhadas com a calçada e rebatidas sobre o plano das quadras, sem rotação, de maneira que algumas aparecem de lado ou de ponta-cabeça. Há proporção entre o tamanho das casas, apesar de estarem grandes em relação ao tamanho das quadras. Este desenho se aproxima de um mapa, o que caracteriza o realismo visual, quando há mais cuidado com as perspectivas, proporções, medidas e distâncias.
Nos exemplos, indicamos como o espaço aparece – na relação entre os elementos de um mesmo objeto e na relação entre objetos em um mesmo campo visual –, como reflexo das concepções da criança, não apenas sobre o real, mas sobre como apresentá-lo graficamente. Refletem, portanto, diferentes formas de linguagem gráfica, elaboradas a partir de conceitos que as crianças constroem a esse respeito. Queremos ir um pouco mais adiante, nesta tentativa de estabelecer paralelos entre o desenho infantil e os mapas.
Uma atividade muito comum entre as práticas escolares é o desenho do trajeto que a criança faz de sua casa à escola. Geralmente, as crianças desenham a casa em um canto do papel e a escola em outro, ligando-as com uma rua, na qual acrescentam alguns detalhes como outras edificações, árvores etc. A solicitação feita às crianças pode direcionar a resposta que elas apresentam no desenho. Muitas vezes, desenham poucos detalhes nesse trajeto por terem entendido que isso é suficiente para indicar o caminho percorrido. Nesta atividade, é possível estabelecer relações mais estreitas entre o desenho e o mapa.
Uma discussão com as crianças levanta questionamentos que as leva a perceber que os desenhos podem ter finalidades mais específicas: o desenho que você fez serve para indicar como chegar em sua casa? Um colega que não saiba onde você mora pode usar o desenho que você fez para ir da escola para sua casa?O caminho que você faz para vir de sua casa para a escola é o mesmo para ir da escola para sua casa?
Outras perguntas levam a pensar em atributos relacionados aos mapas, como:
Localização e distância: No desenho, que elementos estão mais próximos de sua casa (e longe da escola)? Que elementos estão a meia distância? E, que elementos estão mais próximos da escola (e longe de sua casa)?
Escala: Quais os maiores elementos que aparecem em seu desenho? (cinema, escola, igreja) Que elementos têm um tamanho médio? (casas, garagens) Que elementos são pequenos? (banca de jornal).
Ponto de vista: Como você faria para desenhar as casas, a escola, etc. vistos de cima, como se você estivesse vendo-os de um avião?
A partir de discussões desse tipo, as crianças percebem que poderiam incluir outros detalhes, que podem ser acrescentados no mesmo desenho, ou podem fazer um outro. Essas produções não devem ser descartadas, mas comparadas e guardadas para uso em outras aulas.
É importante ter sempre em mente que é desejável, nas práticas escolares, incluir diferentes linguagens. Assim, falar sobre o desenho (ou escrever) amplia as possibilidades de construção de conhecimento pela criança. Uma idéia de atividade, no contexto do que dissemos acima, pode ser pedir para que os alunos formem duplas e troquem os desenhos, observando a produção do colega digam (ou escrevam) o que entenderam, o que não está claro, o que acrescentariam, que comparação fazem com seu próprio desenho. É preciso sempre falar sobre o desenho, realizar outros registros, completar, discutir...
As práticas com desenhos não eliminam o uso de mapas, ou vice-versa. Quando os alunos usam mapas podem continuar a usar desenhos para registro de observações em trabalhos de campo, para apresentar uma área estudada ou como mapas mentais.
Referências bibliográficas
ALMEIDA. R.D. Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na escola. São Paulo: Editora Contexto. 2001.

FREINET, C. A aprendizagem do desenho. In: O Método natural. Trad. Franco de Souza e Teresa Balté. Lisboa, Editorial Estampa. vol. II. (Biblioteca de Ciências Pedagógicas, 13). 1977

LUQUET, G.H. O desenho infantil. Porto: Livraria Civilização – Editora. 1969.

Piaget & Inhelder. B. A representação do espaço na criança. Trad. Bernardina Machado de Albuquerque. Porto Alegre, Artes Médicas. 1993.
PILLAR, A D. Desenho e construção do conhecimento na criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
PILLAR, A D. Desenho e escrita como sistemas de representação. Porto Alegre: Artes Médicas. 1996.

"VOCÊ APRENDE" Shakespeare NÃO é o autor


"VOCÊ APRENDE"- Shakespeare NÃO é o autor

Para se certificar que esse texto não é de Shakespeare, procure um livro que comente a bibliografia do autor. Se lá estiver os 154 sonetos,os poemas "Vênus e Adônis" e "O Rapto de Lucrécia", além de:37,38 ou 39 peças e NÃO ESTIVER VOCÊ APRENDE então é porque ele não escreveu essa coisa.A autora, é Verônica Shoffstall; e o texto foi escrito em 1971.Se a pessoa tem interesse em conhecer Shakespeare, ela descobre que o texto não é dele. De certo mesmo não há nada nesse mundo.uma prova editorial:O texto que anda circulando na net atribuído a Shakespeare com o título "Um dia você aprende" ou "Aprender" ou ainda "O menestrel" é uma tradução de um poema de Veronica Shoffstall chamado "After while", escrito em 1971.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Dia do Aviador relembra o vôo do 14-Bis




23 de outubro




O engenheiro Henrique Dumont, a esposa Francisca de Santos Dumont e cinco filhos viviam na fazenda Jaguara, em Sabará, Minas Gerais. Contratado para construir um trecho da estrada de ferro D. Pedro 2o, mais tarde Central do Brasil, Henrique mudou-se com a família para uma casa simples do sítio de Cabangu, que era propriedade da ferrovia e situava-se em lugar aprazível da serra da Mantiqueira, no distrito de João Gomes, posteriormente cidade de Palmira (MG).
Chegada ao local do vôo
Em 20 de julho de 1873, ali nasceu Alberto, o sexto filho do casal. Quando ele estava com sete anos de idade, a família mudou-se para a fazenda Arindeúva, adquirida pelo pai e localizada na região de Ribeirão Preto (SP). Henrique Dumont mudou o nome para Fazenda Dumont e, dessa fazenda, Alberto guardou as melhores recordações da infância.

O homem voa?
Diziam os irmãos que, quando criança, Alberto ficava como que hipnotizado pelo vôo dos pássaros. Observava-os por longo tempo, atento a todos os movimentos que faziam. Dedicava-se também ao passatempo predileto: fabricar e soltar papagaios de papel de seda, balões e aeronaves de bambu com propulsores. Quando participava da brincadeira "Passarinho Voa?", ao ser mencionada a expressão "Homem Voa?", ele levantava o dedo e respondia animado "Voa!". Os irmãos exigiam que pagasse multa pelo erro. Ele jamais pagou, porque dentro do coração havia a certeza de que, um dia, ele provaria ao mundo inteiro que o homem também podia voar, como passarinho.

Nas férias escolares desfrutadas em Ribeirão Preto, Alberto aprendeu a operar as máquinas de beneficiar café e a manejar o "locomóvel", pesada aparelhagem a vapor sobre rodas usada como trator. Aos 12 anos de idade, por várias vezes, ocupou o lugar do maquinista e conduziu as locomotivas Baldwin, que operavam na doméstica ferrovia de vários quilômetros, que o pai construíra dentro da fazenda Dumont.

Em 1888, pela primeira vez, Alberto assistiu em São Paulo à ascensão de um balão ou aeróstato, pilotado por um norte-americano. A partir daí, voar tornou-se o seu maior sonho. Também os escritos de Júlio Verne, autor de "Cinco Semanas em Balão", "A Volta ao Mundo em Oitenta Dia", "Da Terra à Lua" etc. estimularam sua convicção.

Flâmula verde-amarela
Em 1891, Alberto foi para a França com a família e interessou-se pelo motor a petróleo, que viu na exposição no Palácio da Indústria em Paris. No ano seguinte, foi residir na capital francesa e, com um professor particular, estudou física, química, mecânica, eletricidade etc. Alberto Santos-Dumont guardou indelével recordação da primeira ascensão que fez, a bordo de um balão da firma Lachambre & Machuron e, a partir daí, decidiu possuir um balão. Idealizou e mandou construir o balão Brasil.

Efetuou a primeira ascensão em 4 de julho de 1898 e declarou: "O meu primeiro balão, o menor, o mais lindo, o único que teve um nome: Brasil!" A partir daí, os balões idealizados por Santos-Dumont passaram a ser numerados. O balão n.º 1 tornou-se um marco na história da aerostação, porque foi impulsionado por um motor a gasolina.

Nele, em 20 de setembro de 1898, pela primeira vez, os parisienses viram um motor trepidando e roncando nos ares. De número em número, alternando-se sucessos e fracassos, a cada ascensão, Alberto Santos-Dumont colocava nos balões uma flâmula verde e amarela, a indicar que ali estava um brasileiro.

O 14-Bis
Em 19 de outubro de 1901 ocorreu a grande consagração, ao provar a dirigibilidade dos balões. Concorrendo ao Prêmio Deutsch de La Meurthe com o balão n.º 6, saiu de Saint-Cloud, contornou a Torre Eiffel e retornou ao ponto de partida. No campo da aeronáutica, Santos-Dumont trabalhava em silêncio. Idealizou, inovou, aperfeiçoou máquinas, fez testes e chegou ao avião. Em Bagatelle, para as primeiras experiências, pendurou o aparelho no balão n.º 14, por isso batizou o primeiro avião como 14-Bis. Tratava-se de um grande pássaro branco, semelhante às bonitas garças brasileiras.

No dia 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, em Paris, mais de mil pessoas e representantes da imprensa internacional assistiram ao primeiro vôo de um avião e essa façanha proporcionou ao inventor a conquista da Taça Archdeacon. Pela primeira vez, um homem ergueu-se do solo, com recursos de um aparelho mais pesado que o ar, realizando um vôo planado.

Alberto Santos-Dumont, o homem mais popular de Paris na primeira década do século 20, herói brasileiro, imitado, festejado e aplaudido pelo mundo inteiro, morreu no Guarujá, em 23 de julho de 1932. Em 31 de julho, Palmira, a cidade natal do inventor, passou a chamar-se Santos Dumont. E foi Santos Dumont a primeira cidade do Brasil a comemorar, dignamente, em 23 de outubro de 1936, o Dia do Aviador.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

"Bombardear pela paz é o mesmo que transar pela virgindade"


"Bombardear pela paz é o mesmo que transar pela virgindade"

Animação

Esta animacao em Flash é um protesto à guerra detonando o Bush. Não estou tomando nenhum partido, mas é que ainda não achei um contra o Sadan (rs)! Guerr é guerra! Sou a favor do Faça amor não faça Guerra.http://ericblumrich.com/antiwar2.html

Cartaz de protesto do Greenpeace


Excelente porque chama a gente para atentar o perigo da falta de cuidado com o meio ambiente colocando seres humanos nas situaçoes dos animais.